Como funciona o desenvolvimento de games?

-por , em 26/04 -

Você alguma vez já se perguntou como funciona o mundo do desenvolvimento de games? Fernando Paulo, de 25 anos, é o bacharel em Design de jogos responsável por criar, sozinho o game, comercializado via SplitPlay, “Treeker: os Óculos Perdidos” (confira post sobre o jogo AQUI). Atualmente, mora em Brusque/SC e se envolve na área de desenvolvimento de jogos desde 2011, quando realizou seu trabalho de conclusão onde desenvolveu seu primeiro jogo. Convidamos ele para compartilhar conosco, em uma entrevista, um pouco da sua experiência e esclarecer dúvidas de como jogos são idealizados e desenvolvidos, Confira!

O que fez com que se interessasse por jogos?

Não lembro exatamente qual foi minha primeira experiência com games. Desde que tive contato com jogos eletrônicos comecei a jogar, e os games passaram a ser minha principal forma de entretenimento. Difícil dizer um motivo exato, mas o que mais gosto nos games é o desafio, e a possibilidade do jogador controlar o jogo, ao invés de apenas assistir, como acontece em outras mídias.

E enquanto a desenvolvê-los, foram as mesmas influências?

Acredito que quem joga, em algum momento se pergunta como um jogo é feito ou tem vontade de criar algo, ou pelo menos tem ideias de como um jogo poderia ser. Comigo foi assim também.

Antes de cursar Design de Jogos eu pretendia me especializar em programação, e com isso eu já pensava na possibilidade remota de criar games. Foi quando tive a oportunidade de entrar no curso que então a ideia da criação de games se tornou algo concreto.

treeker

Você precisou fazer algum curso?

Como já citei anteriormente, tudo começou quando fiz o curso de ensino superior em Design de Jogos. O curso dá uma boa ideia de como funciona a criação geral de um jogo. Antes dele, era difícil imaginar por conta própria por onde começar a fazer um jogo e quais os processos, então foi nesse momento que comecei a entender como funciona.

Como o curso é voltado ao projeto, a parte técnica tem uma introdução, mas não é aprofundada. Porém eu ficava sempre em contato com os softwares, e acabei aprendendo mais sobre a parte técnica também.

Eu diria que o papel fundamental do curso é apresentar os conceitos básicos, como as ferramentas de um software de modelagem 3D ou lógica de programação. Depois disso, ser autodidata já se torna bastante efetivo.

Treeker é um jogo onde a exploração é a chave para entender a história, juntamente das pequenas placas que nos dão dicas de como prosseguir e do que se passou naquele lugar, o que o torna muito mais interativo e envolvente do que jogos baseados em cutscenes. Acredita que esta característica se manterá em futuros jogos?

Acredito que se manterá na maioria dos jogos, mas não em todos. Com Treeker eu não quis forçar o jogador a seguir a história, deixando a possibilidade pra quem quisesse procurar mais detalhes.

Além disso não ficaria legal colocar muitas cutscenes pra um jogo em primeira pessoa e sem personagem. Acredito que a maioria dos jogos que irei desenvolver tenham foco na exploração, permitindo o uso dessa ideia como aconteceu no Treeker, mas provavelmente também criarei alguns jogos com maior foco no enredo e com cutscenes.

treeker games

O desenvolvimento das ideias que gerariam “Treeker” começou em 2012, certo? Mas antes disso, você já havia feito ou idealizado algum outro jogo?

As ideias pro Treeker acredito que começaram no início de 2013, mas não lembro exatamente. Antes disso eu não trabalhei em algum jogo completo e publicado.

Criei o trabalho de conclusão, que era um jogo educacional que ensina conceitos de astronomia. Apresentei o projeto como um jogo quase completo, faltando um pouco de refinamento e alguns detalhes apenas. Depois desse momento fiz alguns trabalhos com modelagem 3D, mas foi com o Treeker que tive meu primeiro jogo publicado no mercado.

Quais programas usa para realizar o seu trabalho? Como alguém pode consegui-los?

No geral eu uso Maya/Daz3D, Photoshop, Soundbooth e Unity 3D.

O pacote Adobe é possível assinar mensalmente. O motor Unity 3D também é possível adquirir a licensa ou assinar mensalmente, e agora com o lançamento da Unity 5 é possível iniciar de forma gratuita com todos os principais recursos.

Quanto ao programa de modelagem 3D, eu uso e tenho preferência pelo Maya, mas é um software bem caro, então só tenho a versão educacional (que pode ser adquirida gratuitamente no site da Autodesk). Quando eu preciso de algum objeto 3D comercial geralmente eu crio em um software gratuito, como o Daz Studio. Também existem outras opções gratuitas como o Blender.

treeker

Você enfrentou dificuldades? Poderia nos dizer algumas que alguém poderia passar quando se está criando um cenário ou personagem?

Acredito que a maior dificuldade está na parte criativa e na geração das ideias, mas que seja aplicável a um jogo. Criar algo tecnicamente, se você não sabe como fazer, existe conteúdo e documentação, e com bom senso é possível aprender o que for necessário. Mas não tem como ensinar uma pessoa a ser criativa. Nesse caso apenas com muita referência e experiência com jogos, e mesmo assim, como aconteceu comigo, as primeiras tentativas de criar o level design por exemplo, não são as melhores, e muita coisa precisa ser repensada.

Então no geral, acredito que a maior dificuldade seja nessa parte criativa. É difícil também deixar um jogo bem fluido, seja na movimentação ou nos pequenos detalhes, mas isso vai sendo ajustado conforme o desenvolvimento progride.

Como é feita a animação?

No caso do Treeker, o controlador não teve animações. Os movimentos são controlados por código. Alguns objetos do jogo têm animações simples, como rotação e movimentação, então isso pode ser feito dentro do motor mesmo, seja por script ou com o animador de frames.

Pra animar algo mais orgânico como um personagem aí já é necessário fazer dentro do programa de modelagem 3D e depois exportar o modelo animado pro motor. Nesse caso criar boas animações é o maior desafio e requer bastante domínio do software, e é por isso que em grandes estúdios os modeladores 3D de personagens não são os mesmos que criam os cenários.

Quanto tempo pode demorar a elaboração de um jogo?

Depende do jogo e da experiência do desenvolvedor. No caso do Treeker, levei cerca de 1 ano no desenvolvimento e testes. Com uma equipe experiente seria possível fazer em poucos meses. Até mesmo sozinho eu poderia ter feito o Treeker em menos tempo, mas como foi meu primeiro projeto comercial, muita coisa precisa ser modificada durante o processo, e entra a parte de criatividade que citei anteriormente, onde o desenvolvedor precisa criar, testar e ver o que está errado, modificar…

Com o desenvolvimento do Treeker, agora já posso prever erros e pensar desde cedo nos detalhes que poderiam atrasar um próximo jogo, otimizando o tempo. Como eu sempre pretendo criar jogos com algum tipo de enredo completo, acredito que o tempo possa variar de 6 meses a 1 ano pra algo bem elaborado, mas lógico que sem sair dos limites estabelecidos pra que não se torne algo inviável.

treeker game

Como você escolheu e montou as trilhas sonoras de Treeker?

Inicialmente eu pensei em criar algumas trilhas simples, mas a minha falta de experiência com composição fez com que não saísse algo muito bom. Então eu resolvi criar uma pequena biblioteca com trilhas e efeitos sonoros, geralmente de domínio público ou trilhas com permissão de uso.

Depois disso foi edição, escolhendo as partes que melhor se encaixavam no jogo. Mesmo usando trilhas prontas foi um processo difícil, tive que ouvir muitas vezes cada trilha pra saber o que era possível usar e editar essas partes. Nenhuma das trilhas usadas no jogo é inteira igual a original, ou sem pequenas modificações.

Durante o jogo um script escolhe uma trilha aleatória e executa ela durante um intervalo de tempo. Eu quis deixar algo o mais simples possível e agradável, já que a trilha sonora foi uma das limitações que tive com esse projeto. Com isso eu não quis que o jogo tivesse foco na trilha sonora. Cada trilha tem em média de 15 a 25 segundos.

Existe algum jogo que esteja desenvolvendo atualmente?

Já tenho o conceito geral do próximo projeto e comecei a criar algumas texturas, mas ainda não posso divulgar detalhes específicos. Posso dizer que pretendo fazer um jogo em terceira pessoa, de aventura e com mais foco no enredo. Terá um toque de fantasia e magia também assim como o Treeker, mas será um título totalmente novo sem relação a ele.

Com certeza, desenvolver um jogo é algo que requer trabalho, dedicação e atenção. Contudo, ver seu projeto pronto deve ser algo extremamente satisfatório, mas, e enquanto a você? Você também seguiria este ramo? Que tipo de jogos faria? Compartilhe conosco a sua opinião!

E é por aqui que eu fico! Espero que tenham gostado.

Beijinhos e até a próxima!

Larissa Fogo
por

Larissa Fogo

Otaku e gamer assumida, é uma garota que ama o Japão e tudo referente ao assunto. Joga FPS e lê romances e aventuras. Também é uma futura química (não, não peçam para "cozinhar", porque se bobear, inventa um jeito de queimar até a água). Idolatra a Lara Croft. É uma nerd de todo coração!

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