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APLAUSOS. 

O Disney+ só chegará ao Brasil em 2020. Com ele, produções inéditas se tornarão disponíveis para o mundo inteiro, como o mais novo live-action da Disney. A Dama e o Vagabundo chega sem ter metade da divulgação que outros live-actions tiveram esse ano, como Aladdin e O Rei Leão. Provando que fazer alarde não significa uma produção de qualidade, o filme pode ser considerado o melhor dentre as novas versões. E na era dos live-actions, surpreende até o mais conservador fã dos clássicos.

Anos atrás, especificamente em 1995, A Dama e o Vagabundo chega aos cinemas. Tratado por muitos como mais um filme de Walt Disney protagonizado por animais, trazia como mensagem principal algo ainda mais alarmante. O que acontece com a personagem de Lady (Dama, em português) é triste, é criminoso, é revoltante. Quando ainda éramos crianças não conseguíamos enxergar a verdadeira mensagem do filme. Hoje, em meio a tantas atrocidades que vêm acontecendo com os animais, passamos a ver A Dama e o Vagabundo com outros olhos.

A produção

O filme é lindo do início ao fim. A fotografia traz o colorido que um conto de fadas precisa ter, destacando os momentos obscuros para as cenas de perigo e tristeza. O principal diferencial em relação ao original está nos personagens, agora reais. A expressão no olhar dos cachorros é sincera e surpreende, nos fazendo esquecer que estamos diante de CGI. A forma profunda com que a câmera retrata o brilho e a tristeza nos olhos dos bichos é fundamental para o efeito que o filme traz no público. É tocante e revoltando nos momentos certos.

Os cachorros

Lady é uma jovem Cocker Spaniel recém comprada pela família Dear. Desde os primeiros momentos de vida, a cachorrinha trouxe felicidade aos donos, que viviam sozinhos em uma grande casa. Ela cresceu rodeada de mimos, conforto e comida da melhor qualidade, sempre que queria. Do outro lado do rio, o jovem cachorro cinza que acabamos conhecendo como Vagabundo, luta para dormir sob um teto e ter o que comer. Enquanto um vive preso em uma cerca, o outro tem o mundo para conhecer. Mas afinal, quem é o mais feliz?

Não é preciso ir muito longe para entender o que acontece na história. O diretor Charlie Bean optou por manter a originalidade do longa, trazendo momentos inéditos a medida que a história exigia. A Dama e o Vagabundo vai agradar todo tipo de fã, desde o nostálgico de 1995 até o recém conhecedor do clássico. As principais cenas estão ali, recriadas de forma a fazer uma homenagem ao momento original. Como foi possível ver no trailer, a icônica cena do macarrão envolvendo o casal está ali, ainda melhorada. É de aplaudir e se emocionar.

O verdadeiro significado

Não é possível falar de A Dama e o Vagabundo sem mencionar o abandono de Lady. A forma com que o filme conta esse momento é o grande diferencial do live-action, que soube evidenciar o fato ignorado por muitos anos atrás. Vendo a cachorrinha em forma de desenho, não sentíamos a revolta e a dor que sentimos ao ver os olhos tristes de saudade. É provável que você tenha vontade de abraçar seu cachorro depois de assistir a cena (nós fizemos).

Bean foi extremamente feliz com o desenvolver de seu filme. Soube explorar o conto de fadas, ao passo que evidenciava a mensagem central. Quantas Ladys não existem no mundo, descartadas por uma família que encontrou um novo motivo parar dar atenção? Quantas Ladys não encontram um destino pra lá de diferente do que aquele de Walt Disney? O “elenco” do filme vem como resposta, afinal, o intérprete de Vagabundo veio de um abrigo de animais e teve a sorte de ser adotado. Sorte essa que muitos não tem.

A resposta para as perguntas acima é a pior possível. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o Brasil tem mais de 30 milhões de gatos e cachorros abandonados.

A Dama e o Vagabundo

O live-action de A Dama e o Vagabundo está entre os melhores dentre os lançados nos últimos anos. O filme é agradável, é tocante e irá atingir o público de todas as faixas etárias. Os cachorros são carismáticos, fofos e cheios de expressão. Ouso dizer até mesmo que há uma química enorme entre os dois bichinhos, daquelas clássicas de um filme de romance. Juntos são encantadores e criamos empatia com os mesmos desde os primeiros minutos.

Os “figurantes” são fundamentais para compor a história e fugir um pouco da trama principal de Lady e Tramp. Trusty e Jackie são vizinhos de Lady e trazem um pouco da comédia do filme. Peg e Bull entregam diálogos divertidos e importantes, contrastando com seu pequeno tamanho.

Em diversos momentos até esquecemos que os cachorros não deveriam falar, ou será que deveriam? Com uma trilha sonora clássica de um filme da Disney, um cenário belíssimo e personagens incríveis, o resultado não poderia ser diferente. A Dama e o Vagabundo é um filme maravilhoso.

A Dama e o Vagabundo chegará ao Brasil em 2020.