A historia do nosso Cristo Redentor – no Rio de Janeiro – começou muito antes da estátua ser erguida. Os portugueses batizaram o morro de Pináculo da Tentação, depois o rebatizaram de Corcovado. Em 1859 o padre Pedro Maria Boss chegou, se deparou com a beleza da vista do Corcovado e pediu recursos à Princesa Isabel, para erguer um monumento religioso. A princesa não concordou e o nascimento da estátua teve que ser adiada.

 

A estrada de ferro do Corcovado foi a primeira ferrovia eletrificada do Brasil. Inaugurada no dia 09 de outubro de 1884, é mais antiga do que o próprio monumento do Cristo Redentor, aliás, foi o trem que, durante quatro anos consecutivos, transportou as peças do Cristo. A estrada de ferro do Corcovado foi inaugurada por Dom Pedro II. O caminho que leva à estátua do Cristo Redentor nasceu da paixão do imperador pela paisagem local. A implantação da Estrada de Ferro do Corcovado foi iniciada em 1882. Dois anos depois, no trecho entre o Cosme Velho e as Paineiras, foi inaugurado, com a presença da família imperial. O trem, na época a vapor, foi considerado uma modernidade idealizada pelos engenheiros Francisco Pereira Passos e João Teixeira Soares por percorrer 3.829 metros de linha férrea, em terreno totalmente íngreme.

 

Em 1910, os trens a vapor foram substituídos por máquinas elétricas e mais recentemente, em 1979, quando a Esfeco assumiu o controle da ferrovia, foram trazidos da Suíça, modelos mais modernos e seguros.

 

 

Antes da estátua do Cristo Redentor ser erguida no alto do Corcovado, existia uma espécie de coreto para apreciação da vista chamado de Pavilhão de Chapéu do Sol. Lá esteve desde 1922 até 1931 (ano de inauguração do Cristo). Em 1922, deste local, foi feita a primeira transmissão de rádio difusão do Rio, para ouvintes na Exposição do Centenário.

 

A idéia da construção do monumento voltou à tona em 1921, para marcar a comemoração do Centenário da Independência do Brasil, no ano seguinte. A intenção inicial era fazer um monumento, em bronze, representando Jesus Cristo abençoando o Brasil, do alto do Pão de Açúcar, que disputava com o Corcovado e o Morro de Santo Antônio. Venceu o Corcovado, o maior dos pedestais. A pedra fundamental foi lançada em 04 de abril de 1922.

 

Quatro anos depois, as obras foram iniciadas. Através de um concurso, o engenheiro Heitor da Silva Costa tornou-se o responsável pelo projeto de construção do monumento. Para executar a maquete definitiva da estátua e estudar problemas de construção e de base, Heitor foi para a Europa, onde escolheu o arquiteto Paul Landowsky para desenvolver o projeto. Foi organizada então, a Semana do Monumento – uma campanha para recolher contribuições dos católicos.

 

 

Antes mesmo que se pudesse chegar à imagem de um Cristo Redentor, com a forma e as dimensões com que ele foi finalmente concebido, foi necessário que antes se erguesse sobre o Pico do Corcovado uma grande cruz com 30 metros de altura, que foi cuidadosamente observada a partir de diversos pontos da cidade durante vários meses. Nessa fase preliminar, não se encontrando aparelhos com a precisão necessária para calcular todas as variáveis envolvidas na obra, tornou-se necessário o emprego da quadriculação, uma técnica que os obrigou a determinar a posição de cerca de 163 mil pontos para executar os perfis da obra com grandes extensões.

 

A partir daí, de simplificação em simplificação, foi concebido um pedestal com oito metros de altura, sobre o qual iria repousar a estátua de 30 metros, cujos braços, horizontalmente abertos, formariam com o corpo ereto uma gigantesca cruz, imagem perfeita da simplicidade, da simetria e da espiritualidade. Para que esta cruz pudesse ter vida, ele explicou, ela iria esposar a forma de um homem e de um Deus, do divino personagem da redenção. E para que pudesse ter alma, seria modelada com a face ligeiramente voltada para baixo e para a esquerda, o que a tornaria visível para os que vivem na cidade e por aqueles que chegam à terra carioca. Assim, o monumento perderia a rigidez que a distância aparentemente lhe emprestaria, contemplando carinhosamente a todos que dele se acercassem, envolvendo-os com um largo e divinal abraço. A expressão suave do seu rosto, a túnica e o manto largamente tratados e estilizados iriam emprestar à estátua uma expressão de imponente serenidade.

 

 

Em 1928, uma comissão de técnicos examinou estudos, projetos e orçamentos. A armação metálica foi substituída por uma estrutura de cimento armado, e a imagem assumiu a forma de uma cruz. Vários materiais foram cogitados para o revestimento da estátua, mas por fim foi escolhida a pedra-sabão, que embora seja um material fraco, é extremamente resistente ao tempo e não deforma nem racha com as variações de temperatura.

 

Em 1931 não se falava outra coisa na cidade e o monumento do Cristo Redentor foi, enfim, inaugurado no dia 12 de outubro de 1931, no alto do Morro do Corcovado. O evento de inauguração teve a presença do cardeal Dom Sebastião Leme, que disse:

 

“…esta sagrada imagem seja o símbolo do vosso domínio, do vosso amparo, da vossa predileção, da vossa benção que paira sobre o Brasil e sobre os brasileiros…”

 

O molde da cabeça do Cristo Redentor foi parar em leilão e foi arrematado em agosto de 2001 pela Prefeitura do Rio, por R$ 84 mil. A peça, que serviu de base para a construção do rosto da estátua, foi feita em terracota e mede 70 centímetros de altura. Sua construção data de 1926 e estava em poder da família de um ex-empresário do setor têxtil.