Existe uma grande quantidade de teorias sobre o aprendizado infantil, há quem diga que as crianças são como esponjas e aprendem tudo o que lhe ensinamos facilmente, outros acham que não devemos entupi-los de conteúdo pois o que vale são as experiências. Você já parou para pensar nesse assunto? Pois muitos cientistas investem toda uma vida de estudos só para chegar a alguma conclusão, e este estudo da Universidade de Boston (EUA) fala exatamente sobre isso, mas com um toque um pouco mais técnico. De acordo com eles, as crianças são capazes de entender conceitos científicos e generalizá-los e aplicá-los em diversas ocasiões, vocês acreditam nisso? Entendam um pouquinho na explicação abaixo e depois comentem lá embaixo, no final do post, sobre o que acharam do estudo!

O ESTUDO

A psicóloga do desenvolvimento cognitivo Deborah Kelemen e seus colegas criaram um livro de histórias de 10 páginas sobre “pilosas”, um grupo de mamíferos ficcionais com troncos longos para ensinar a teoria da seleção natural a alunos de 5 a 8 anos de idade. O livro foi elaborado cuidadosamente combinando o que eles sabiam como psicólogos com a pesquisa em ensino de ciências. Eles inventaram as pilosas para que as crianças não viessem para a leitura com ideias pré-concebidas sobre os animais. Eles mantiveram a história e as imagens simples. A narrativa sobre como as pilosas viveram e morreram – e a explicação de como e por que elas evoluíram ao longo do tempo – se desenrolou de forma gradual, com um fato biológico se ligando logicamente ao próximo.

A ideia era de que pilosas usavam seus troncos para pegar insetos. No passado, a maioria das pilosas tinham troncos largos. Apenas algumas tinham troncos finos. Então uma mudança climática extrema levou a maioria dos insetos para o subsolo, em túneis estreitos, onde apenas pilosas com troncos finos poderiam alcançá-los. É uma história sobre a adaptação por seleção natural, que é um dos mecanismos fundamentais não apenas da evolução, mas de toda a biologia. Também é um dos conceitos mais amplamente mal compreendidos na ciência, geralmente só ensinados a partir do ensino médio.

No entanto, as crianças que ouviram a história sobre as pilosas entenderam não só como elas evoluíram (e porque as de tronco fino sobreviveram), mas também conseguiram uma das tarefas mais difíceis da aprendizagem: generalizar o conceito. Elas aplicaram o que aprenderam com as pilosas para outras espécies de novos animais, em alguns casos, mesmo depois de três meses. “Isso mostra que as crianças são muito mais inteligentes do que as damos crédito. Elas podem lidar com um surpreendente grau de complexidade quando enquadramos as coisas de uma maneira que bate com a necessidade humana natural de uma boa explicação coesa”, disse Kelemen.

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O ENSINO DE CIÊNCIA NA ESCOLA

A sabedoria convencional é de que crianças devem aprender apenas fatos biológicos fragmentados, como que a comida é necessária para a sobrevivência ou que os animais têm partes do corpo úteis, sem vincular os fatos a uma explicação de como o mecanismo da seleção natural funciona. Mas explicar esse mecanismo mais cedo pode ajudar a evitar problemas de aprendizado no futuro. Crianças pequenas são boas candidatas a aprender a seleção natural. De acordo com Kelemen, na idade pré-escolar, elas começam a pensar intuitivamente que os fenômenos naturais existem para um propósito ou operam por design. Para uma criança de cinco ou oito anos, faz todo o sentido pensar que existem rios para que os crocodilos tenham um lugar para morar, por exemplo. Este pensamento cientificamente impreciso ajuda o raciocínio cotidiano das crianças, mas pode impedir a capacidade de alunos mais velhos – e, finalmente, de adultos – de entender a lógica contraintuitiva da seleção natural.

Os pesquisadores pediram que as crianças fizessem perguntas antes e depois de ler o livro para avaliar a sua aprendizagem de fatos biológicos básicos – tais como a relação entre alimentação e saúde, saúde e reprodução e sua capacidade de integrar esses fatos em uma explicação coerente de por que os corpos dos pilosas mudaram ao longo do tempo, e o resultado foi que elas entenderam perfeitamente que a espécies evoluem certas características ao longo do tempo que se encaixam melhor com seu ambiente para sobreviver e se reproduzir em taxas mais elevadas.

O estudo de Kelemen sugere que uma maneira de aumentar a alfabetização científica é começar a ensinar mais cedo alguns conceitos-chave que nossas tendências naturais da mente tornam especialmente difíceis de entender. “Se você colocar os fatos no contexto de uma teoria, as crianças aprendem não só os fatos, mas também entendem a explicação completa”, argumenta Kelemen. “E fazem isso em um nível além do que imaginávamos que fariam, dado quão jovens são”. [MedicalXpress]

Comentem aqui embaixo sobre o que acharam desse estudo! 😉 Beijos

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