Porque ninguém está gostando de Conan?

-por , em 19/09 -
Conan, The Barbarian (Conan, o Bárbaro) estreou há menos de um mês e já causou um rebuliço de comentários e críticas negativas. Antes de ler a sinopse e a minha crítica, vamos considerar apenas algumas questões meio óbvias que até mesmo uma criança pode perceber:

1. Esse filme não é uma HQ;
2. Arnold ‘giga’ Schwarzenegger não estava interpretando o Conan desta vez;
3. Estamos no século XXI.

Agora vamos lá, no passo-a-passo…primeiro a sinopse oficial do filme:

Sinopse — O Bárbaro mais lendário de todos os tempos está de volta. Parte do imaginário coletivo por oito décadas consecutivas – nos quadrinhos, em prosa, na tela grande e na pequena, em jogos e em itens licenciados – as aventuras de Conan na Era Hiboariana tomam vida de forma inédita, num filme de ação colossal, em 3D. Uma aventura que começa como vingança pessoal para o destemido guerreiro da Ciméria, torna-se de repente uma batalha épica contra os rivais hulking, monstros terríveis e outras coisas estranhas, enquanto Conan percebe que ele é a única esperança de salvação para as nações de Hibória contra um reino de maldade sobrenatural.

Comentando — Ouvi muitas coisas ao longo desses dias sobre Conan, que era violento demais, que tinha sangue demais, que a história não fazia sentido, que o personagem foi apresentado sem fundamento…inúmeras, várias, quase todas as críticas extremamente negativas. Confesso que fiquei com medo de assistir ao filme, mas como jogo Conan e tenho um apego muito grande à história, precisava matar a curiosidade.

Minha opinião — O filme é muito bom, prático, moderno, respeita a história de Conan e as características centrais do personagem. Conan é um bárbaro, sangue e morte fazem parte de sua vida, amor e carinho não são facilmente encontrados em relacionamentos Cimérios. Os homens são criados para defender seu sangue e sua terra, sua honra e suas vidas. As terras pelas quais Conan passou no filme mostraram um pouquinho do que é este mundo, pirataria, ciganos, sexo, mercenários, ladrões, guerreiros, bárbaros, feitiçarias, poder e exploração. Tudo isso com muito bom humor e diversão. Conan é isso, é “Curtir a vida adoidado”, é “ser intenso e determinado”… Nada diferente do que foi apresentado no filme.

Jason Momoa – Espetacular! Tirando o “cara” em si que é espetacular, a interpretação e dedicação do ator para fazer um Conan de primeira linha devem ser aplaudidas.Uma pequena pausa apenas para comentar a interpretação do pequeno Conan, o menino estudou tão bem Jason Momoa, que conseguiu reproduzir o olhar, o jeito de andar, de lutar e de falar do cara. Muito bom! Jason estudou Conan em seus mínimos detalhes, treinou muito para fazer valer a fama do Cimério e conseguiu interpretar o papel à altura. Ele está realmente de parabéns! Para os que estavam com medo de confundir Conan com Khal Drogo, relaxem, Conan é um verdadeiro guerreiro perto do outro… Não tem jeito de confundir absolutamente nada. Para os que esperavam um pouquinho de “mimimi” no final da história, por favor…não se trata de um filme Hollywoodiano…trata-se de Conan minha gente! Não existe “mimimi” em Conan…o máximo que ele consegue fazer de bonitinho é aquele sorrisinho sedutor…só…rsss….

A feitiçaria — Não deixa a desejar em nada do que sabemos que existe de feitiçaria em Conan. A personagem de Rose McGowan, a feiticeira Marique, demonstrou exatamente como funciona a feitiçaria na era Hiboriana. Os elementos da natureza são fundamentais para a execução da maioria das magias, a ligação do passado, presente e futuro é realmente muito forte e a “interpretação bizarra” de algumas magias é real. Na cena, por exemplo, em que Marique estava “pesquisando” no mosteiro a “sangue puro” para concretizar o ritual que traria sua mãe de volta, as mortes das meninas serviram unicamente para Marique receber pontos de poder, sua magia se tornou mais intensa e sua ligação com a feitiçaria mais forte. A magia de guerreiros de areia foi incrível e do tamanho e poder exatos. O filme não pecou no quesito feitiçaria e quem disser que pecou, é porque não conhece a verdadeira história da era Hiboriana, aconselho pesquisar um pouquinho mais antes de escrever…

Porque as pessoas não estão gostando — Quem nunca jogou RPG realmente não vai conseguir alcançar a dimensão do novo filme do Conan. O roteiro do filme, nada mais é do que uma campanha de RPG. Conan possui um objetivo traçado desde o início do filme e tudo aquilo que é colocado em seu caminho até a batalha final é tratado como “pedra no meio do caminho” sim. São muitas pequenas batalhas, mocinha para resgatar — sem se envolver –, crescimento pessoal, resgate de prisioneiros, solução de alguns probleminhas, até que no final, o chefão é enfrentado com duas vertentes — a de dar mais uma lição a Conan (fazendo com que ele tenha mais experiência de vida) e a de encerrar a história. O filme não deveria ter o romance que não teve, deveria ter tido a quantidade de morte e de sangue que teve, deveria ter apresentado a feitiçaria que apresentou e Conan deveria ter sido exatamente do jeitinho que Jason Momoa fez. Tudo foi na medida certa e no tempero exato para os verdadeiros fãs de Conan!

Uma dica — Se você não é fã de Conan, não conhece a história, mas gostaria de assistir ao filme com um olhar mais crítico, leia a HQ, pesquise sobre a era Hiboriana e retire todos os pre-conceitos de sua cabeça!Assim, Conan se tornará uma belíssima experiência para você. =)

Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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