As obras de arte, muitas vezes antigas demais, ficam armazenadas em museus e ambientes fechados, as diferenças climáticas e geográficas acabam gerando impactos na conservação das imagens. Com o objetivo de avaliar os possíveis danos que as características ambientais desses espaços podem provocar nos bens, pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram um sensor que indica o grau de degradação sofrida por materiais que compõem obras de arte em diferentes ambientes.

O dispositivo já foi aprimorado algumas vezes e é resultado de um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP por meio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes. Os pesquisadores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) pretendiam desenvolver uma ferramenta que possibilitasse medir simultaneamente a temperatura, umidade, iluminação e os níveis de poluição interna de museus situados nas áreas urbanas e o grau de deterioração sofrido ao longo do tempo por resinas orgânicas usadas em obras de arte. Para este fim, eles se associaram a um grupo de pesquisa do Instituto de Química da USP.

Reuniu-se conhecimentos de química analítica com habilidades em eletrônica e microprocessamento de um pós-doutorando que integrou o grupo. Os pesquisadores conseguiram criar um aparelho miniaturizado que funciona automaticamente e mede as alterações físico-químicas causadas pelas condições ambientais dos museus em alguns materiais orgânicos.

O sensor é baseado em uma microbalança de quartzo, constituída por pequenos cristais do mineral com aproximadamente 1 cm de diâmetro que vibram a frequências muito elevadas, de 10 MHz. Para analisar as alterações sofridas por um determinado material em um ambiente, é depositada uma fina camada dele sobre os cristais de quartzo e colocado o aparelho no ambiente onde se pretende monitorar.

Os pesquisadores utilizaram um tipo de verniz usado em obras de arte para testar o aparelho em alguns ambientes de dois museus em São Paulo – Museu Paulista da Universidade de São Paulo e a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Após deixar o aparelho contendo a amostra do verniz por um determinado período de tempo nos dois lugares, o grupo constatou que em comparação com a Pinacoteca, o Museu Paulista apresenta condições menos favoráveis para conservação de materiais associados às pinturas.

obras de arte

A diferença entre os museus se deve à dificuldade do Museu Paulista de implementar condições mais adequadas para a conservação dos bens culturais que abriga, uma vez que a edificação é tombada. Atualmente, o museu também está passando por um processo de adaptação de seus ambientes, apoiado pela FAPESP por meio do Programa Infra-Estrutura – Museus, com o objetivo e melhorar as condições de conservação das obras que possui. Ao fim deste processo será possível fazer nova avaliação utilizando o sensor e constatar se a reforma possibilitou a melhora nas condições microambientais da instituição.

Via Info Online

Muito legal este estudo não acham? Desta forma, todas as obras poderiam ter suas garantias de sobrevivência por muitos e muitos anos. Não perderíamos nossos bens culturais por desleixo ou má-alocação em ambientes ruins. ^^

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