Se você terminou de assistir a última temporada de Dark, certamente alguns questionamentos ficaram na sua cabeça. Principalmente no que se refere ao final da série.

Como Claudia descobriu o terceiro mundo, ou como que Jonas e Martha conseguiram salvar o filho de Tannhaus, se teoricamente eles não poderiam existir, se ele existisse?

É louco pensar nesses paradoxos, mas todas as respostas nos foram dadas através de inúmeros monólogos filosóficos ao longo das três temporadas. Uma delas vem do próprio H.G Tannhaus:

“Nosso pensamento é moldado pelo Dualismo. Entrada e saída. Preto e branco. Bom e Mal. Tudo parece como pares opostos. Mas isso está errado.”

Na filosofia e no estudo da física, e até mesmo com as pistas ao longo dos episódios, trouxemos uma explicação para vocês. Obviamente essa explicação vem de inúmeros fóruns de debate da série, um em especial deixo aqui. Bora lá!

Se pensarmos que toda a serie Dark teve como base inúmeros paradoxos físicos, podemos então imaginar que a descoberta do mundo três pela Claudia nada mais foi que um paradoxo. A personagem sempre se mostrou mais consciente e mais entendedora do que estava acontecendo do que todos os outros personagens. Ela se permitir ser morta, foi somente mais uma jogada para que ela continuasse viva sem ser impedida, logo, sua existência por si só já é um paradoxo.

Ao perceber que em nenhum dos mundos, Regina viveria, mas sabendo que aquela era a chance de que ela vivesse, Claudia percebe que existia algo além daqueles mundos. Logo, ela se utilizou do paradoxo de Bootstrap, para que todas as suas versões captassem informações de ambos os mundos ao longo dos anos. Tudo isso enquanto Adam e Eva, ao focar em seus objetivos acabavam retornando ao ponto inicial em um ciclo perpétuo. Cláudia usou isso ao seu favor, 33 ciclos foram necessários para achar essa brecha no paradoxo, com base no ciclo solar (citado na série) que se inicia a cada 33 anos; e nas horas complementares que formam o ano bissexto. O caderno funciona simplesmente para que as informações não se percam, e a cada ciclo, os novos dados coletados, estejam ali captados para agregar o conhecimento necessário para a conclusão. Não foi a toa a frase: “tudo o que você precisa saber, está nesse livro”

A descoberta, a conscientização, a busca por respostas e sua morte, tudo isso sempre fez parte do ciclo da Cláudia, pois ela sabia que as informações e a pesquisa seriam perpetuadas. Sua 33ª versão aparecer para Adam explicando o entrelaçamento quântico e a existência do terceiro mundo que os originou, sempre existiu.

Na real, o que podemos concluir é que na verdade, o paradoxo não foi vencido e sim foi utilizado para encontrar um mundo onde os que não faziam parte do nó, vivessem em Paz. Incluindo a Regina, que era o principal objetivo da Claudia todo esse tempo.

MAS O QUE É ENTRELAÇAMENTO QUÂNTICO?
Digamos que eu sou um espectador e não quero saber o que há dentro de uma caixa (bem exemplo do Gato de Schrödinger). Se eu NÃO QUERO SABER, o que existe na caixa A e B são a mesma coisa. Agora se eu QUERO SABER o que tem na caixa, o que ali existe pode ser A ou B. Passando a existir diferença em seu conteúdo, ou não.

MAS COMO ELES UTILIZARAM O PARADOXO?
Tannhaus, ao perder sua família, resolve criar a máquina do tempo, e ao liga-la, acaba destruindo seu mundo e criando dois semelhantes. Essa criação não só faz uma analogia ao gato de Schrödinger, como também ao entrelaçamento quântico.

Os mundos são iguais e diferentes ao mesmo tempo, no entanto coexistem e são dependentes para que tudo se perpetue eternamente. A vida e a morte sempre ocorrem nos mundos opostos. Jonas do mundo 1, morre no mundo 2; bem como a Martha do mundo 2, morre no mundo 1. E por mais que achemos ver somente dois Jonas e duas Marthas, sempre são nos mostrados três destes personagens. Eles coexistem, assim como o terceiro mundo, que forma a triqueta apresentada por Claudia, no último episódio.

Claudia menciona o que falamos acima, que quando Tanhhaus originou os dois mundos, ele acabou com o dele. E se tudo for corrigido, estes que foram originados, deixarão de existir.

A visão de Jonas e Martha no túnel de seus “eus” crianças, é uma prova de que não há a quebra do ciclo, mas a brecha que há de 33 em 33 anos, que permite-os ver o tal “erro na Matrix”. Aqui citamos os dois, mas o mesmo é percebido com a cena final de Hannah, provando que os tais Deja vus são apenas ecos dos loopins.

A utilização do paradoxo de Bootstrap fica evidente quando Martha e Jonas chegam ao ‘mundo origem’, mais precisamente no passado, em um mundo onde eles não existem. E esse fato, já prova o multiverso entrelaçado se você parar para pensar que Martha e Jonas só existem porque o filho do Tannhaus morre e eles estão ali para impedir que ele morra e existem para isso. Logo, o mundo original está dentro dos mundos e uma brecha no tempo é capaz de criar esse paradoxo.

O simples apertar de botão do cientista durou um nano segundo, mas para os dois mundo foram milhares de anos. Como a série mesmo explica com o Gato de Schrödinger. O mundo existe e não existe ao mesmo tempo (caso não seja observado). E se observado, o mundo original volta a existir, quando 33 ciclos são completados.

Afinal, “O fim é o começo, e o começo é o fim.

É muito incrível levantar essa hipótese. Estamos longe de possuir conhecimento supremo, mas quando pessoas conseguem transcender e elaborar conceitualmente aquilo que o criador da série quis ou não explicar, a vida nos mostra que vivemos em um eterno paradoxo.

Sou muito grata por ter vivido a experiência que Dark e seus criadores nos proporcionaram. As reflexões que a série nos trouxe da vida e nossa existência.

A melhor frase para essa conclusão não poderia ser outra: ” O que sabemos do mundo é uma gota, e o que ignoramos é um oceano.”

As três temporadas de Dark estão disponíveis na Netflix.

Aproveitem para conferir nossa playlist da séries!

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