É verdade! Pela primeira vez os pesquisadores comprovaram uma propriedade da mecânica quântica prevista há mais de 40 anos e criaram luz a partir do vácuo. O experimento foi realizado na Universidade de Tecnologia de Chalmers na Suécia e os “fótons virtuais” foram rebatidos em uma estrutura vibrando a uma velocidade altíssima – 25% da velocidade da luz.

O experimento já havia sido previsto nos anos 70 e faz parte das teorias da mecânica quântica – área da ciência que explica, pelo menos de forma teórica, o funcionamento de partículas do universo. De forma simples, é possível dizer que a mecânica comum não se aplica às estruturas ínfimas como fótons, elétrons e prótons. Uma das bases da mecânica quântica é o princípio de que o vácuo não é vazio. Ele está repleto de partículas que mudam constantemente do estado de “existência” e “não existência”. Elas parecem existir por um breve momento e então desaparecem; por isso, recebem o nome de “partículas virtuais”.
O feito da equipe liderada pelo professor Christopher Wilson foi justamente fazer os fótons do vácuo deixarem seu estado virtual e se tornarem fótons reais – ou seja, luz. A teoria dizia que isso poderia aconteceria se os fótons virtuais quicassem em um espelho que se movesse quase tão rápido como a velocidade da luz. Ninguém, no entanto, havia conseguido observar o chamado Efeito Casimir – até agora.
Uma vez que mover um espelho à velocidade próxima à da Luz seria impossível, os pesquisadores adaptaram o experimento. O espelho, na verdade, é um componente eletrônico quântico chamado SQUID (Superconducting quantum interference device), extremamente sensível a campos magnéticos. Ao mudar a direção desse campo bilhões de vezes por segundo, os cientistas conseguiram fazer o “espelho” vibrar a 25% da velocidade da luz.
Tamanha vibração transferiu energia cinética (energia do movimento) aos fótons virtuais, o que os fez se materializar em pares. Essa radiação tinha as mesmas propriedades previstas pelas teorias quânticas.
A energia liberada pelo equipamento só foi suficiente porque os fótons não possuem massa, o que significa que precisam de pouca energia para saírem do estado virtual. A princípio, este mesmo experimento poderia materializar outras partículas, como prótons, mas a quantidade necessária de energia seria enorme.
Os resultados da pesquisa sueca poderiam ser usados na criação de computadores quânticos, mas seu grande valor é ajudar os cientistas a compreender melhor as leis básicas dos fenômenos físicos.
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