Olá meu povo! Nas duas últimas semanas só se fala na quantidade de manifestações em prol de um Brasil melhor, de um futuro melhor, de uma democracia verdadeiramente aplicada. Esta “revolução” popular, como muitos estão chamando, nada mais é do que reflexo de anos de maus tratos políticos, econômicos, sociais e muitos outros que a população brasileira sofre. A pior parte é a cegueira da imprensa brasileira que insiste em defender o governo sem ser correta com aqueles que os mantém no ar. Vamos entender como chegamos a este ponto?

 

período colonial

 

Em pensar que o primeiro momento marcado com censura em nosso país foi justamente aquele em que nossos amados (só que não) portugueses chegaram em nossas terras. A coroa portuguesa possuía uma listagem de obras que não poderiam circular em seu país e em suas colônias. Dentre essas obras, estavam em sua maioria as que continham teor iluminista, que criticassem de alguma forma a igreja católica ou a monarquia absolutista deles. Esta censura tinha um tipo de castigo paralelo à famosa inquisição católica.

 

A inquisição foi uma das maiores censuras mundiais. A igreja, na época, investigava e punia (matando em alguns casos) pessoas que fugissem ao pensamento católico através de seus atos ou simples crenças. Antes  mesmo da inquisição, a igreja já demonstrava seu meio ardiloso de atingir aos não-católicos. Os jesuítas, aqui em Brasil e em outros locais do mundo, impediam que índios e colonizados de modo geral, insistissem em manter suas religiões de berço, obrigando todos a serem batizados e a acreditar no Deus apostólico romano. Que situação hein?

 

período monárquico

 

O período monárquico brasileiro – que muitos confundem com período colonial, mas que não é a mesma coisa, então vai ler seu livro de história antes de continuar – também foi marcado por censura. Ele era conhecido como um regime liberal (mentira!), mas repreendia, torturava e assassinava líderes e representantes de movimentos que defendiam o fim da escravatura. Para não dizer que apenas um dos lados era repreendido, as pessoas que defendiam a reunificação das coroas portuguesa e brasileira e que defendiam a independência de alguma região como país (farrapos, por exemplo), também eram massacradas.

 

república velha

 

A república velha foi responsável por banir a família imperial brasileira do território nacional até 1943. O período político reprimia qualquer manifestação ou apoio de cunho monárquico. O Barão de Itararé foi o responsável por um dos maiores marcos deste período da censura brasileira, ele passou anos satirizando a sociedade da época e a política nacional. Depois de muito blá blá blá, ele foi sequestrado e espancado por policiais da marinha, nunca identificados. mas nada disso calou sua boca, depois de toda a tortura sofrida, ele continuou satirizando os temas que achava necessário e, na porta de seu escritório, colocou o aviso famoso até hoje: entre sem bater!

 

regime militar

 

Durante o regime militar brasileiro, na década de 1960, a censura se intensificou e as perseguições aos responsáveis também. O objetivo da censura desta época era ocultar o sumiço de envolvidos com revoluções políticas, as mortes inexplicáveis, os protestos, a fim de reduzir a quantidade de pessoas revoltadas ao longo do país. Além de censurar as notícias sobre as torturas, muitas outras coisas acabaram por ser proibidas também – em 15 de setembro de 1972, o seguinte telegrama foi recebido pelo diretor da sucursal de Brasília do jornal O Estado de São Paulo:

 

“De ordem do senhor ministro da Justiça fica expressamente proibida a publicação de: notícias, comentários, entrevistas ou critérios de qualquer natureza, abertura política ou democratização ou assuntos correlatos anistia a cassados ou revisão parcial de seus processos, críticas ou comentários ou editoriais desfavoráveis sobre a situação econômico-financeira, ou problema sucessório e suas implicações. As ordens acima transmitidas atingem quaisquer pessoas, inclusive as que já foram ministros de Estado ou ocuparam altas posições ou funções em quaisquer atividades públicas. Fica igualmente proibida pelo senhor ministro da Justiça a entrevista de Roberto Campos.”

 

Veja alguns dos artistas censurados durante a ditadura militar brasileira (1964-1970) – Caetano Veloso, Chico Buarque, Elis Regina, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Kid Abelha, Milton Nascimento, Plínio Marcos, Raul Seixas, Taiguara, Toquinho, Odair José, Torquato Neto, Zé Keti.

 

pos ditadura

 

Mesmo depois dos militares abandonarem o poder no Brasil, ainda era possível identificar algumas formas de censura. Muitas ocorreram com a finalidade de proteger os cidadãos de atitudes intolerantes, mas outras tantas eram apenas para manter o patrimonialismo no país. De certa forma, a maioria dos documentos da ditadura continuaram perdidos e escondidos por anos. Famílias acabaram sem descobrir onde seus componentes foram parar, histórias foram simplesmente encerradas sem nenhuma explicação. Até hoje alguns arquivos são mantidos em poder do governo federal e provavelmente nunca serão de conhecimento público com a justificativa de manter a ordem nacional.

 

período atual

 

As manifestações brasileiras contra a corrupção, o aumento das tarifas, taxas, juros e impostos, o roubo dos cofres públicos, a realização de uma copa do mundo e olimpíada mesmo com a população vivendo uma miséria constante e muitas outras coisas começaram em 13 de junho nas ruas do Rio de Janeiro e São Paulo. Os jovens, revoltados com todos os limites estourados pelo governo do país, simplesmente resolveram pedir um BASTA. Foram às ruas, se organizaram e gritaram. O que aconteceu?

 

Os policiais, os políticos e a imprensa se calaram. Os policiais, mandados pelos poderosos, atacaram os manifestantes, lutaram como se estivessem em guerra, tentaram calar a voz jovem que anda pelas ruas do Brasil. A imprensa se manteve calada. Dias depois novas manifestações forma feitas, em jogos da Copa das Confederações. O que aconteceu? Os policiais atacaram antes mesmo de qualquer tipo de ação dos jovens manifestantes, câmeras de segurança das cidades foram desligadas, famílias foram presas em metrôs, celulares foram revistados, mochilas foram abertas e vinagres proibidos. A imprensa se manteve calada.

 

Ontem, dia 17 de junho de 2013, manifestantes foram às ruas das principais capitais do país e do mundo, todos em luta pela democratização brasileira, pela liberdade de expressão, pela liberdade de opinião, pela melhoria de nossas condições de vida. O que aconteceu? A polícia acompanhou, se acalmou e simplesmente assistiu. Os políticos se trancaram em suas casas e escritórios. Neste momento, a imprensa reagiu.

 

Algumas emissoras mostraram as manifestações em tempo real, algumas pessoas ligadas às principais emissoras do país resolveram apoiar o movimento, fotos foram tiradas e fatos manipulados foram expostos. O que mudou? O silêncio foi quebrado, mas a manipulação de dados, a falta de imparcialidade daqueles responsáveis pela disseminação de informação se manteve. Uma vergonha para aqueles que lutaram por tantos anos para conseguir ter sua voz ouvida. Uma vergonha aos que foram às ruas na década de 1960 e muito anos. Uma vergonha para aqueles que morreram em nome do nosso país. Pense nisso.

 

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