Nossa geração nunca viu um movimento como este. Quem diria que R$0,20 centavos seriam capazes de iniciar uma onda de atos que moveram mais de um milhão de pessoas para fora de suas casas em diferentes cidades em todo o Brasil nos últimos dias. Estes jovens que estão nas ruas conseguiram mostrar para os que insistiam em nos caracterizar como “a geração das petições online e das revoltas virtuais”, que nossas revoltas são virtuais, mas também podem extrapolar isto.

A imagem do topo do post mostra jovens na manifestação de Brasília (crédito da imagem: Marcelo Casal Jr.). É realmente bonito ver as pessoas balançando bandeiras e gritando palavras de ordem em prol de direitos. Mas, há vozes bastante preocupantes no meio de tudo isso e devemos ficar atentos ao que a grande mobilização pode acabar florescendo. Um movimento que surgiu baseado em princípios de esquerda, acabou abrindo espaço para discursos bem, digamos, esquisitos.

E, no meio de tudo isso, a coisa mais bizarra que pude encontrar nos últimos tempos são os grupos de simpatizantes com a monarquia clamando pela retomada do sistema aqui no Brasil. Sim, você leu isso mesmo, há pessoas que acreditam que a restauração do império seja a solução para nossos problemas sociais.

Capa da página do Facebook de um dos grupos que defendem a restauração da monarquia

Fazendo uma pesquisa, só encontrei uma página – chamada Causa Imperial – com pouco mais de três mil adeptos, felizmente. Os grupos já existe há bastante tempo, não se formaram agora. Contudo, como estamos em um momento em que a grande massa mobilizada não sabe exatamente pelo que está lutando, qualquer tipo de causa consegue adeptos com mais facilidade.

luis de orleans e bragança

Foto de Luis de Orleans e Bragança

Muitos desses grupos são vinculados a herdeiros de títulos nobres, como Luiz de Orleans e Bragança que faz questão de defender seu direito à coroa descrevendo sua linhagem até seu triavô (expressão que nunca havia escutado até hoje), Pedro II.  Entretanto, na página oficial da família imperial, há um informe de que os monarquistas, agindo conforme a prudência,  se abstém de qualquer manifestação que esteja ocorrendo para não parecer estar tirando proveito do movimento ou ainda se associar a atos de anarquismo. É o que diz no site, mas já encontrei várias páginas no facebook motivando as pessoas a levarem bandeiras e manifestarem sua preferência nas ruas.

Mas, você deve estar se perguntando: o que exatamente essa galera deseja? Bem, parece que os herdeiros esperam reconhecimento do quão nobre seu sangue é e que isso já basta para governarem nossas terras. Afinal, segundo o site da Causa Imperial, o período imperial é invejável. E, claro, acredito que queiram aproveitar a boa vida que a coroa lhes pode dar. Em resumo, querem ter verdadeiras vidas de reis. Regalias e, se a sorte ajudar, poder.

Já os simpatizantes, podemos dividi-los em dois grupos: aqueles que defendem monarquias absolutas e os que defendem as monarquias parlamentaristas. A diferença entre os dois sistemas de governo é que na monarquia absoluta o rei é o chefe do Estado, seu poder é total e sua palavra soberana; já na monarquia parlamentarista ou constitucional, o rei não tem função no governo, seu reinado é simbólico, por assim dizer, como funciona na Inglaterra. O poder executivo, que no Brasil é representado pelo presidente, fica a cargo de um conselho de ministros, responsáveis pelo parlamento.

Bem, particularmente, espero que esse movimento pró-monarquia não vá tão além deste grupo formado pelas famílias de sangue azul e a minoria simpatizante. O único rei que defendo é o do xadrez. E esse eu apoio que você defenda também. Aprenda a jogar e depois me chame para uma partida.

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