Olá queridos Coxinhos! Tudo bom? Como toda boa nerd, tenho como uma de minhas paixões características as infindáveis sessões de RPG com meus outros amigos muito nerds… E essas sessões, como todos devem saber, nos inspiram a escrever mais e mais sobre nossos personagens… Nem toda história termina na sessão, saímos dos encontros com vontade de dizer muito mais sobre o que aconteceu por lá… Montar o que chamamos de background do personagem! Umas pessoas escrevem contos realmente muito bons, e é exatamente por isso que nós, da Coxinha Nerd, convidamos dois amigos muito queridos, o Daniel e o Victor Hugo a escrever seus contos baseados em sessões de RPG para divulgar aqui no blog, e eles adoraram a idéia. Hoje postarei o primeiro conto, mas preciso saber a opinião de vocês sobre ela… Em breve teremos muito mais por aqui… O conto de hoje é do Daniel Simões, então… Vamos que vamos!

 

“Outono estava chegando, uma ótima época para morrer” Pensou Yabu enquanto dava as últimas instruções ao seu jovem e notável discípulo, Kenzen. Desde que se refugiou no pequeno vilarejo de Doko no mura fugindo de seu passado, Yabu passou bastante tempo refletindo em tudo o que aconteceu até ali.

 

A vila não pertencia a nenhum dos clãs do império e ficava bem no meio do caminho entre a Terra do Caranguejo e os demais clãs do norte. Toda criatura das Terras Sombrias que conseguia ultrapassar a quase intransponível barreira do clã do Caranguejo e se dirigia ao norte quase sempre encontrava Doko no mura em seu caminho. E os párias da vila, sem a proteção de nenhuma arrogante família samurai eram alvos fáceis e indefesos de Maho-Tsukai, samurais corrompidos, criaturas monstruosas e demais horrores que vinham do sul da Muralha Kaiu. A vila também sofria constantes ataques de ronins, criminosos e escravistas em busca de abrigo, sexo, escravos, crianças ou simples diversão. Yabu era um desses ronins fugitivos quando chegou a Doko no mura. Ele, antes um promissor duelista da escola Kakita do clã da Garça, agora era um ronin desonrado, sem família, sem pátria e sem lugar para onde ir. Chegou a Doko no mura faminto, sedento e envergonhado, com seu obi rasgado, sem as insígnias de sua família e clã. Mal conseguia ficar de pé, não era uma ameaça, assim que chegou foi acolhido por uma das famílias da vila.

 

Yabu havia obtido sua primeira derrota em duelos formais para a bela Bayushi Kido, uma jovem samurai do clã escorpião que resolveu seguir o caminho do duelista e saiu por Rokugan se envolvendo em duelos para se aprimorar. Nesse dia, ela estava acompanhada de Tsuruchi Enishi, o qual tinha salvado a vida e ficaram amigos, e encontrou Kakita Yabu e Doji Kazuki na região fronteiriça das terras Kakita. Assim que a impetuosa Bayushi soube que Yabu era um exímio duelista, o desafiou para um duelo formal. Yabu aceitou com seu sorriso desdenhoso e deu a vitória como certa, afinal, ele havia derrotado os mais promissores duelistas de sua escola, por que perderia para uma pobre e pretensiosa Escorpião num duelo? Mas Yabu havia subestimado sua oponente, e quando deu por si, a lâmina Bayushi encostara-se à maçã esquerda de seu rosto, deixando um pequeno corte. Yabu não acreditou no que havia acontecido e se descontrolou, rapidamente sacou sua espada e matou a jovem duelista vitoriosa. Seu melhor amigo, Doji Kazuki, não se conformou com aquele ato vergonhoso e jurou matar Yabu por seu descontrole emocional. Na mesma hora o jovem Doji o desafiou para um novo duelo. Yabu, ainda desnorteado com tudo o que aconteceu, aceitou o duelo, mas Kazuki queria tirar-lhe a vida e Yabu ainda tinha muito apreço por ela. O Kakita era muito superior a Kazuki no duelo e o venceu facilmente, mas como não podia deixá-lo vivo, pois Kazuki queria matá-lo, Yabu matou seu melhor amigo. Após isso ele quebrou sua própria espada em uma rocha e fugiu para além das terras de sua família, rasgou seu mon e se declarou ronin, um desonrado e desgraçado ronin que um dia seria um dos melhores duelistas de sua escola.

 

Yabu, já na vila de Doko no mura, sob cuidados da família de párias da vila, levou duas semanas para se restabelecer e começou a treinar sozinho suas habilidades marciais com uma espada de madeira, já que não possuía mais uma katana.

 

Um dia, a vila foi invadida por um grupo de cinco samurais ronins. Eles estavam caminhando a esmo, fugindo das comitivas do império e resolveram se estabelecer na vila. O grande problema é que esses ronins eram desonrados e cruéis, não se importavam nem um pouco com os moradores indefesos de Doko no mura e estavam lá apenas para espalhar sua crueldade. Yabu viu as fortunas sorrirem pra ele, ali, bem diante daqueles cinco ronins. Quando estavam prestes a assassinar a família que o acolheu, Yabu avançou sobre um rapidamente, quebrou o pescoço, arrancou-lhe a katana e se virou para os outros. O restante do grupo, confuso com aquele repentino assassinato, hesitaram por um momento, tempo suficiente para Yabu matar mais dois com a katana roubada. Os dois restantes temerosos pelas suas débeis vidas resolveram fugir. Yabu foi aclamado como herói e protetor de Doko no mura a partir desse dia, e enfrentou diversos perigos para proteger sua “nova casa”.

 

Os anos se passaram e Yabu desenvolveu sozinho, um estilo próprio de duelo. Após profundos estudos sobre sua arte duelista, Yabu resolveu fazer discípulos, e “adotou” três jovens para lhe passar suas novas técnicas. Um deles, Kenzen, demonstrou grande talento com a espada e Yabu o tornou herdeiro direto de sua arte. O experiente e arrependido ronin não tinha intenções de aproveitar seu legado. Não. Deixaria para Kenzen essa responsabilidade. O objetivo de Yabu era outro. Era a morte. Apenas a morte honrada o faria expiar de seus crimes e morrer com a honra de um samurai que ele foi um dia.

 

– Muito bom Kenzen. Você acaba de aprender tudo sobre a técnica dos lobos uivantes que eu criei. De agora em diante quero que aproveite o legado que deixo pra você.

 

– Sim, mestre. Mas ainda tenho muito que aprender com o senhor. Não entendo quando diz por que eu serei responsável pelo seu legado e não você.

 

– Kenzen-san. Meu destino não é aqui. Meu destino é em outro lugar. Tenho muitas questões do passado para resolver e acredito que chegou a hora.

 

Kenzen fez uma mesura ao seu mestre, concordando, mas seus olhos estavam cheio de lágrimas. Mantendo a voz firme, já compreendendo os objetivos de seu mestre, Kenzen disse: – Mestre Yabu-sama! Não vou decepcioná-lo. Carregarei seu legado e passarei adiante pare quem o merecer. Dou minha palavra…

 

– Sim, eu sei disso, Kenzen-san. Por isso confiei em você minha técnica. Apesar de jovem, carrega uma maturidade muito grande em seu coração…

 

E aquele foi o dia em que Kenzen viu seu mestre pela última vez…

 

By Daniel Simões

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