Recebi um texto sobre a “Despedida do trema” da língua portuguesa e confesso que fiquei extremamente tocada pela sentimentalidade desses dois pequenos pontinhos que nem sempre fizeram “a diferença” em nossas vidas….
É sério, já repararam como temos o hábito de eliminar por conta própria determinadas coisas da língua portuguesa? O engraçado é que depois de muito ignorar algumas regras, o mundo se convence e retira definitivamente dos livros e ensinamentos. #Peloamordedeus, não façam isso… Eu amo a língua portuguesa e sempre fui fã dos livros de gramáticas e afins. Dicionário sempre esteve na minha estante e literatura era a aula mais esperada da semana na escola. Confesso que isso fez de mim uma alucinada, com mais de 25 livros hoje em dia comprados e em fila para conquistar minha leitura, mas também me fez uma pessoa que se recusa a escrever “naum”, “axim” e outros internetês que me dão até vergonha…
Portanto, faço aqui um apelo aos deuses gramaticais da língua portuguesa…não deixem mais a forma culta de nossa língua morrer! Mantenham as características rebuscadas e belas que tanto demoramos a aprender nas escolas. Imaginem uma criança nascida este ano lendo textos e livros de Machado de Assis, por exemplo… Que tragédia, a pessoa vai achar que está lendo Português de Portugal e que aquela cultura não lhe pertence.
Não matem nosso português, falem como quiser, “interneteiem” o que quiserem…mas não matem nosso lindo português. E para finalizar meu apelo, leiam o apelo do abandonado “trema”….e se unam à nossa campanha: “Não deixem de usar o trema“.
Despedida do TREMA 
Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos. 
 
Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!… 
 
O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio… A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. Os dois pontos disse que seu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé. 
 
Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?… A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, “Kkk” pra cá, “www” pra lá. 
 
Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou “tremendo” de medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!… 
 
Nós nos veremos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história. 
 
Adeus, 
Trema.
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