Não é difícil imaginar a premissa de um filme de ação tradicional do gênero futurista. Para isso, temos toda a franquia Exterminador do Futuro, bem como tantas outras que foram lançadas ao longo do tempo. Chega a ser corajoso tentar criar uma nova história nos dias atuais, envolvendo robôs, cenas de luta e um protagonista com músculos exacerbados. Isso é Bloodshot.

Vin Diesel foi o escolhido para viver o anti-herói da Valiant nos cinemas. Em um cenário saturado e esmagado pela hegemonia Marvel x DC, ter um herói que venha de qualquer outra origem, é minimamente curioso. Afinal, quem é o homem de olhos vermelhos e uma luz brilhante no peito que estampa o cartaz do filme? Não estamos falando de Tony Stark, mas sim de Ray Garrison.

A história

Assim como na HQ, Ray é um soldado programado para matar. O que parece ser instinto ou meras habilidades, logo se revela algo extremamente tecnológico. Ray é transformado em uma máquina de matar biotecnológica, cuja força tem origem em nanotecnologia. Seu sangue é composto por milhares de nano robôs, que o transformam em um ser sobre humano.

Nos quadrinhos, Bloodshot chegou no início dos anos 90. Inicialmente, o personagem parecia ser mais um típico clichê: muitos músculos, pouco cérebro, muita ação e pouco roteiro. A receita foi seguida a risca, mas toques originais culminaram em uma trama bem aceita pelo público.

Bloodshot

O filme do diretor Dave Wilson toma os quadrinhos como base, modelando sua história e tornando-a uma produção cinematográfica. Nele, Ray é um ex-soldado recém chegado da guerra, cujo único objetivo é voltar para a esposa, Gina. Quando ele é assassinado ao lado da amada, sua vida vira de ponta cabeça. Tudo aquilo que ele conhecia desaparece de sua memória, ou era o que deveria ter acontecido.

Experiências laboratoriais lideradas por Emil Harting (Guy Pearce) o transformam em uma criatura diferente. Ele ainda é humano, mas passa a ter poderes especiais controlados por tecnologia futurista. Ray passa a ser frequentemente ressuscitado e testado, mas não sem antes reviver seu pior pesadelo vez após vez.

Não demora para os verdadeiros “vilões” do filme serem revelados. Ray está sozinho em sua vingança, mas sabe que pode contar com algumas pessoas ao seu lado.

O filme

Bloodshot chega com a premissa de ser mais do mesmo. Os minutos iniciais escondem o que virá a seguir, quando o grande plot é revelado e o objetivo central do filme exposto. Ainda é mais do mesmo, com todos os clichês que um filme de ação, protagonizado por Vin Diesel, pode ter. Mas surpreendentemente, é possível sair satisfeito do cinema. A produção é majoritariamente visual. Para aproveitar o melhor que o filme tem a oferecer, o público deve assisti-lo no cinema, com uma imagem de altíssima qualidade. Por ter um roteiro fraco, sem grandes surpresas e basicamente nenhuma explicação, todo o sucesso de Bloodshot está nos efeitos visuais. E são os melhores possíveis. A câmera é muito bem planejada e utilizada no filme. Momentos em câmera lenta, destacando cada partícula da cena, são verdadeiros shows a parte. Com destaque para a transformação de Ray em Bloodshot, há momentos no filme que merecem aplausos, tamanha a qualidade.

O bom e o ruim

Outro fator positivo está na trilha sonora, que entra em cena na hora certa. Há muitos momentos de ação e tensão, nos quais nada é falado. O ritmo bate de acordo com a emoção que a cena requer e torna tudo ainda mais emocionante. Quando somamos isso aos efeitos previamente mencionados, o filme se desenvolve sozinho, fundamentado em cenas de ação bem feitas. Bloodshot também traz pontos negativos que precisam ser comentados. O roteiro é a grande deficiência da produção, que ganha destaque apenas no visual. Nada é explicado, apenas jogado para o público, que é obrigado a aceitar. Tudo acontece muito rápido e de maneira superficial, sem grandes aprofundamentos. A história é boa e poderia ter sido melhor desenvolvida, com diversos ganchos tendo sido deixados em aberto.

O elenco

O elenco do filme não é dos melhores, mas dois nomes merecem destaque. Eiza González interpreta KT, a única personagem feminina em um elenco predominantemente masculino. Embora a atriz não tenha uma grande atuação, sua personagem protagoniza grandes momentos em cena . O nome de Bloodshot é Lamorne Morris, que vive o nerd da computação, Wilfred Wigans. A partir do momento em que o personagem é apresentado, o filme segue outro rumo e se torna até mesmo divertido. Algumas piadas forçadas são criadas pelo roteiro e não engatam, mas a atuação brilhante de Morris é o alívio cômico em meio a tanta violência. Bloodshot chega aos cinemas no dia 12 de março.