Batman, a franquia noventista – Parte I

-por , em 02/07 -
Batman, a franquia noventista – Parte I

Depois de assistir a dois ótimos filmes sobre o Cavaleiro das Trevas através da ótica de Chistopher Nolan, fãs de quadrinhos e de cinema do mundo inteiro estão com as expectativas nas nuvens para o terceiro (e último) capítulo da trilogia iniciada em 2005. A data prevista para o lançamento de “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” no Brasil é 27 de julho, mas a espera parece longa para aqueles ansiosos por verem como se desenrolará o desfecho da franquia.

 

A Coxinha Nerd também está na espera e, como preparação para o lançamento, irá lançar algumas matérias comentando os filmes do Batman lançados da década de 80 para cá. Nosso objetivo é rever o caminho traçado por estas obras e entender o motivo do sucesso (ou do fracasso) de cada uma delas.

 

Nas duas primeiras partes, vamos analisar todos os filmes da série de filmes pré-Nolan, iniciada gloriosamente em 1989 e sepultada sob execração do público e da crítica quase uma década depois. Nesta postagem vamos falar especificamente sobre o filme que inaugurou a nova era dos filmes de heróis.

 

Batman, de Tim Burton

 

20 e poucos anos depois, a geração que não vivenciou o sucesso que fez este filme talvez não entenda a sua importância e talvez se pergunte por que uma obra tão diferente do Batman que conhecemos hoje pôde ter sido considerada tão boa por muitos fãs do herói.
Era o fim dos anos 80, e há muito já não se via um blockbuster protagonizado por um super-herói. Os fãs de quadrinhos do gênero estavam carentes de um bom filme sobre o tema desde Superman II, de 1980. As tentativas de reingresso neste tipo de filme haviam sido patéticas em toda a última década, com filmes ruins e geralmente de orçamento baixíssimo.

 

Filmes como as duas últimas continuações do Superman, os constrangedores filmes do Capitão América do período, a série mal feita do Aranha do final dos anos 70 e o Justiceiro com Dolph Lungdren só conseguiram sinalizar ao público que bons filmes de super-herói não podiam ser feitos, bem como aterrorizar aos produtores – que se tornaram extremamente receosos de investir em um gênero onde o fracasso era certo.

 

O próprio Batman já não era lá objeto de respeito fora dos quadrinhos há muito tempo. Apesar de a época ser a melhor fase do personagem nos gibis, ainda na esteira das excelentes graphic novels de Alan Moore e Frank Miller, o público que não era fã da mídia impressa só tinha como referência do Homem-Morcego a série dos anos sessenta estrelada por Adam West e Burt Ward. Assim como aconteceu com a série do Incrível Hulk, o Batman televisivo, embora tivesse milhares de fãs em sua época e, sejamos justos, tenha ajudado a popularizar o personagem, prejudicou a sua imagem a longo prazo, já que a sua imagem era a de um herói semi-cômico, barrigudo e com sexualidade duvidosa.

 

batman noventista

 

Enfim, com este cenário definido, pode-se imaginar o sacrifício (e o risco) que era lançar um filme de Batman naquele momento.
Felizmente, um leitor de gibis chamado Michael Uslan, professor do primeiro curso universitário de quadrinhos e fanático pelo Batman, emergiu do mundo das revistinhas para o do cinema como produtor. E achou que estava na hora de mostrar mais respeito pelo personagem, realizando um filme à altura do herói.

 

Uslan juntou-se ao amigo Benjamin Melnike, um então já estabelecido produtor cinematográfico, e decidiram enfrentar o desafio de trazer Batman de volta às telonas (a última vez que se vira um filme do Morcegão nos cinemas havia sido em 1966, e era o piloto da série televisiva). Apesar das óbvias dificuldades, os teimosos produtores acabaram por convencer a Warner de apostar as fichas no filme, talvez por garantirem que o tom do filme não seria em nada parecido a imagem do Batman sessentista, e que seria adotado o tom soturno que o personagem havia tomado nos gibis.

 

Para dirigir a película, foi escalado um então pouco conhecido diretor – quase um estreante, chamado Tim Burton. Com um estilo gótico e sombrio, Burton havia dirigido até então apenas dois filmes, embora um deles fosse um campeão de bilheteria, Os Fantasmas se Divertem. Era pouco para uma empreitada daquele tamanho, e muitos ficaram com um pé atrás.

 

O segundo pé seguiu o anterior quando Michael Keaton foi anunciado como o ator que interpretaria Bruce Wayne. Keaton, que já trabalhara com Burton interpretando Bettlejuice em Os Fantasmas se Divertem, era então conhecido apenas por papéis de comédia. Era natural que os fãs de Batman, já escaldados com a comédia sessentista, ficassem assustados com a escolha.

 

Mas o estúdio continuava a acreditar, e para viver o Coringa foi contratado nada mais, nada menos que o então mais politicamente incorreto ator hollywoodiano, Jack Nicholson. A escolha acabou por se mostrar acertadíssima, já que começou a mostrar ao público que a dimensão da produção. Nicholson estava tão certo do sucesso do filme que abriu mão do pagamento em troca de participação nos lucros na bilheteria nos cinemas.

 

A trilha sonora ficara a cargo de um então pouco conhecido Danny Elfman (que daí por diante parece ter se especializado em filmes de super-heróis). Para cantar o tema principal foi convidado Prince (ainda bastante popular na época), e a canção tornou-se conhecido pelo público meses antes do lançamento do filme, chegando a ter clipe tocado no Fantástico, aqui no Brasil.

 

Com uma fortíssima campanha de marketing iniciada bem antes da estréia, o filme foi lançado em 1989. O sucesso foi estrondoso. Com uma arrecadação de mais US$ 413 milhões nos cinemas e de mais de US$ 750 milhões (!) em merchandising, Batman (cujo orçamento foi de cerca de US$ 30 milhões) finalmente mostrou aos estúdios o potencial dos longa-metragens de super-heróis quando bem feitos.
O filme, claro, tinha os seus problemas – que não eram pequenos. Keaton como Batman, por exemplo, embora não tenha sido uma decepção completa, simplesmente “não combinava”. Vestido com a roupa emborrachada do morcego, que revelava apenas sua boca e queixo, até chegava a convencer. Mas na pele de Bruce Wayne, o ator magro, baixinho e meio calvo não passava nenhuma credibilidade. Aliás, o uniforme do Batman também foi uma dificuldade. Constituída de borracha dura, não permitia ao herói olhar para os lados sem girar todo o tronco junto com o pescoço.

 

O roteiro do filme também não ajudou. Fraca e meio non-sense, a estória era boba e nada tinha a ver com aquelas das graphic novels da época.

 

Mas o clima gótico criado por Tim Burton agradou a grande parte do público, apesar do clima de filme juvenil adotado pelo diretor.
O Coringa de Jack Nicholson (que embolsou nada menos que US$ 65 milhões da participação nas bilheterias) foi o grande trunfo do filme. Hoje, em tempos do Coringa de Heath Ledger, sua interpretação histriônica e exagerada pode parecer equivocada. Porém, durante quase duas décadas Nicholson havia foi considerado o Coringa perfeito. O ponto é que embora vivam o mesmo personagem, Jack Nicholson e Heath Ledger interpretaram o papel de forma diferente por que seus filmes assim exigiam. Aquele é mais pop; este, mais dark. Mas ambos são assassinos psicóticos perigosos e descontrolados. Além de roubarem todas as cenas em que aparecem.

 

batman noventista

 

Estava inaugurada a nova era das superproduções cinematográficas sobre super-heróis! Claro, a Warner não perderia a oportunidade de iniciar uma franquia. Pouco tempo depois do lançamento do primeiro filme, começou-se a produzir um segundo. E a ele seguiram-se outros. Falaremos neles na segunda parte deste texto…

 

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Cyber considera a franquia do Batman de Nolan a obra definitiva sobre o
Homem-morcego, e não aceita imitações.
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Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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