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A MELHOR DAS TRÊS!

Aos poucos, com seu jeitinho particular, divertido e único, Atypical ganhou nossos corações. A produção original Netflix chegou sem dar dicas do que esperar, parecendo uma simples série adolescente boba. Para quem não deu uma olhada na sinopse e teve um vislumbre do que realmente se tratava a produção, é provável que a seriedade de Atypical nem tenha passado pela cabeça. Atualmente em sua terceira temporada, o seriado consegue nos surpreender e der uma aula a cada episódio que passa.

É difícil se surpreender com uma trama em sua terceira temporada. Enquanto muitas nos entregam mais do mesmo, Atypical nos mostrou que o melhor está sendo mostrado aos poucos. A terceira leva de episódios é, sem dúvida, a melhor até agora. Os personagens já foram desenvolvidos e agora apenas desenvolvem suas tramas particulares. E embora o foco da história ainda seja Sam, sua família e amigos ganham destaque e sofrem com seus próprios problemas.
Aprendemos a lidar ainda mais com uma pessoa no espectro autista, mas sem esquecer os dramas particulares que a vida reserva a cada um.

A História

Não há como desenvolver uma sinopse ou falar sobre a história central. Em Atypical temos pequenas vertentes de vidas separadas, contadas ao longo dos episódios. Na terceira temporada, lidamos com assuntos mais maduros e sérios, como a ida de Sam para a faculdade. O menino lida com os desafios diários evidenciados em temporadas anteriores, mas está prestes a embarcar na loucura de uma vida universitária.

Qualquer um que tenha passado por essa experiência irá entender o drama de Sam. Agora imagine sua dificuldade multiplicada e começamos a ter um pouco da noção do que o garoto tem de encarar. Sofremos, comemoramos, ficamos angustiados e nos solidarizamos com Sam. O tempo todo pensamos em apenas estar ali, lhe dando apoio ou apenas um abraço, se ele permitir obviamente.

A terceira temporada lida com outros tipos de assuntos, igualmente importantes e necessários. Percebemos o quão despreparados estamos, como sociedade, para lidar com pessoas no espectro autista. O seriado nos mostra, de forma divertida, as situações complexas do cotidiano da família e dos amigos de Sam. E principalmente, nos mostra o melhor do “protagonista”, se é que podemos chamá-lo assim.

Sam

A inocência e ingenuidade do menino são puras e a forma como lida com seus problemas, sempre da maneira mais clara e objetiva possível, nos leva ao questionamento: por que sempre criamos tantas complicações para as questões do dia a dia? Por que não podemos ser mais como Sam, enxergando as verdadeiras complicações e com assuntos supérfluos, apenas vivendo com eles?

Como mencionado anteriormente, o grande diferencial desta terceira temporada está na abordagem que a série da para os outros problemas. O grande destaque está em Casey, que no auge de sua adolescência começa a lidar com a pressão do ensino médio, da faculdade, de bolsas de estudos, problemas na família e muito mais. O que aconteceu entre os pais ainda mexe com ela, que passou a enxergar a mãe como uma grande vilã.

Os personagens

Casey ganha ainda mais importância devido a seu relacionamento com Izzie. Lidar com sua sexualidade não deveria mais ser o tabu que é, mas sabemos o quão complicado é se descobrir na sociedade preconceituosa em que vivemos. O assunto ainda não foi completamente abordado, visto que a menina não se abriu com os pais. Mas por que deveria ser um assunto diferente não é mesmo?

Outro ponto abordado está no relacionamento dos pais. Como introduzido ainda na terceira temporada, os atos de Elsa ainda estão sofrendo as consequências. Doug está tentando seguir a vida sem a esposa, que tenta de tudo para conseguir o perdão do marido. A família sólida que vimos no começo da série está desfeita enfrenta os mais diversos problemas, juntos e individualmente.

Atypical

Atypical nos mostra um novo lado de seus personagens. O amadurecimento de Sam pode ser explicado por vários fatores, contados ao longo da série. A maneira divertida com que Seth Gordon continua desenvolvendo sua história é extremamente divertida. Aprendemos de forma leve e gostosa, sem a complexidade que muitas outras produções nos trazem. Criamos empatia com todos os personagens, entendendo seus dramas e torcendo para que tudo se resolva.

E quanto a Sam? Ele ainda é o astro. Em mais uma performance brilhante de Keir Gilchrists, o britânico rouba a cena sempre que aparece. Sua interpretação é genial, fundamental para a série. Entender Sam e as dificuldades que o garoto enfrenta é essencial para compreender Atypical. A terceira temporada lida melhor com seu relacionamento com Paige e Zahid, mostrando que os problemas da adolescência sempre vão estar ali.

Ainda há o que se falar e nós certamente não vamos reclamar de mais uma temporada.

A 3ª temporada de Atypical já está disponível na Netflix.