Como o próprio nome diz, a área onde situa-se o Parque do Flamengo, é uma área aterrada, uma parte do Rio criada artificialmente. Para tal, foi usada a terra proveniente do desmonte e demolição parcial do morro de Santo Antônio, no centro do Rio de Janeiro. Embora uma das belezas criadas pela natureza tenha sido destruída para a construção desta área, o bom gosto prevaleceu quanto ao resultado final, e o aterro do flamengo se integrou à paisagem do Rio, se tornando também uma de suas atrações.

Sobre sua construção: Tendo o nome oficial de Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, o aterro do Flamengo teve também como objetivo criar vias de tráfego mais amplas e de alta velocidade, e também afastar a invasão de águas do mar quando em dias de “ressaca” ou mar bravo. Além desses motivos, facilitou a viabilidade prática de sua construção o fato de dar vazão à terra retirada do desmonte parcial do Morro de Santo Antônio.

Parte da Praia de Botafogo também foi aterrada para alargamento das pistas que veem do aterro do Flamengo, fazendo assim sua continuidade. E da mesma forma que a faixa de areia da Praia do Flamengo foi jogada para dentro em direção ao mar, a praia de Botafogo também jogada para frente, igualmente em direção ao mar.

Aterros anteriores ao “Aterro do Flamengo”: Deve-se salientar também que, nas mesmas áreas próximas, antes do aterro do Flamengo propriamente dito, existiram aterros anteriores. Se tratava de uma faixa de menor largura, feita no início do século XX, que começava à frente do morro ou outeiro onde fica a Igreja da Glória, passava em frente ao parque Passeio Público e seguia adiante passando em frente à Cinelândia.

Esta faixa de aterro é onde situa-se inclusive a Praça Paris, construída sobre esta faixa de aterro. Além disso, havia a avenida Beira Mar, também construída na mesma época, que se estendia do centro da cidade até Botafogo. O local onde se encontra o Aeroporto Santos Dumont e também a área até onde se encontra o Museu de Arte Moderna também foi aterrada nas primeiras décadas do século XX, proveniente do desmonte do Morro do Castelo, que ficava na área onde hoje é conhecida como esplanada do Castelo, onde ficam os antigos edifícios do Ministério do Trabalho, da Fazenda e Palácio da Cultura.

Antes destes aterros, até o final do século XIX e início do século XX, o mar chegava até os limites do Passeio Público, de onde, de uma mureta se contemplava a entrada da Baía de Guanabara. E chegava também quase encostando na Igreja de Santa Luzia, onde havia uma antiga praia. Toda a área de frente à Cinelândia (onde havia a antiga Praia da Ajuda) até a Praça Quinze (onde havia a Praia Dom Manuel) foi bastante aterrada.

À estes aterros anteriores, feitos no início do século XX, acrescentou-se mar adentro e acompanhando o litoral o chamado Aterro do Flamengo. Deve-se anotar também que, onde existe o Parque do Passeio Público já foi uma lagoa, chamada Lagoa do Boqueirão. Esta lagoa se estendia da faixa de areia do mar até os Arcos da Lapa.

De onde veio a terra do aterro? Do desmonte do Morro Santo Antônio: O Aterro do Flamengo foi feito com terra do desmonte ou arrasamento do Morro de Santo Antônio. A maior parte do morro foi demolida, tornando o local uma esplanada ou campo plano e aberto até sua ocupação por novas construções. Assim, no local anteriormente ocupado pelo morro, foi construída a nova Catedral Metropolitana, e alguns edifícios modernistas tais como o Edifício da Petrobrás, Edifício do antigo BNH e o edifício do BNDS, todos eles construídos na avenida Chile, que foi aberta em função da demolição do morro.

A parte demolida, fica ao lado do histórico Convento de Santo Antônio e suas duas Igrejas históricas anexas, construções dos tempos coloniais, que felizmente continuam sobre o que restou do antigo morro. Tanto o Convento de Santo Antônio como o Morro de Santo Antônio (o que restou do morro) fica no centro do Rio, de frente ao Largo da Carioca.

A antiga área do morro que foi demolida, ocupava parte da atual Avenida República do Chile, tendo a Rua do Lavradio correndo ao lado das antigas margens do morro, assim como as ruas da Carioca, Senador Dantas e Evaristo da Veiga que também o circundavam. O desmonte do morro ocorreu na década de 1950, mas já existiam planos para sua demolição desde o início do século 20. Na década de 1920, já havia sido demolido do Morro do Castelo, que ocupava a área onde foram construídos diversos prédios com os do Ministério do Trabalho, da Fazenda e outros, assim como é o local onde foi construída a avenida do Castelo que segue até a Rua Primeiro de Março.

Os motivos alegados para a demolição do Morro de Santo Antônio e do Castelo eram falta de espaço para a “evolução urbana” da cidade, ideia em voga na primeira metade do século XX. Além abrir espaço e avenidas largas de acordo com os conceitos de “evolução urbana” vigentes naquela época, o desmonte do morro também serviu para fornecer material para o Aterro do Flamengo. Havia interesse também em prover uma área para as cerimônias do Trigésimo Sexto Congresso Eucarístico Internacional, onde se reuniram depois milhares de pessoas.

Após o desmonte ficou preservada a área onde se ergue o Convento de Santo Antônio (séculos XVII-XVIII) e a vizinha Igreja da Ordem Terceira de São Francisco (século XVIII), ambas excepcionais obras de arte colonial carioca.

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