TÍTULO: A Arma Escarlate

AUTOR: Renata Ventura 

EDITORA: Novo Século

PÁGINAS: 488

ANO: 2011

GÊNERO: Fantasia

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SINOPSE

O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo. Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que ameaça sua família.

Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo.

 

A Arma Escarlate está entre os maiores sucessos da literatura nacional de fantasia. Publicado por Renata Ventura em 2011, o livro atingiu livrarias e passou a ser chamado de “Harry Potter brasileiro”. A inspiração é visível em diversos momentos do livro, o que pode ser considerado o único ponto negativo do mesmo. Em outros, porém, a referência encaixa muito bem a história e nós, fãs do mundo mágico de J.K. Rowling, nos sentimos representados e acolhidos.

Rowling já nos revelou o nome da Escola de Magia e Bruxaria Brasileira, conhecida como Castelobruxo. Renata por sua vez, nos apresenta a Nossa Senhora do Korkovado, uma das cinco escolas espalhadas pelo país. Com esse nome, não é difícil imaginar uma das entradas para o local. Localizada no Rio de Janeiro, a instituição abriga bruxos das mais diversas classes, gêneros e etnias. Entre eles está Hugo Escarlate, nosso protagonista.

A trama

A história se passa em 1997, onde o jovem Idá encara as dificuldades de morar em uma favela do Rio de Janeiro. Ele vive no Morro Dona Marta e vê o tráfico como solução para seus problemas. Ao completar 13 anos, Idá se envolve em um conflito armado e encontra-se em meio a um tiroteio. Para sua surpresa, enquanto se escondia dos tiros, um pombo chega com a carta que mudaria sua vida. Idá é convidado para estudar em Korkovado.

Assim como aconteceu com Harry, a vida do jovem vira de cabeça para baixo. Ele descobre o mundo mágico escondido embaixo de seu nariz. Lugares antes nunca percebidos são, na verdade, partes de todo o novo universo. Buscando começar uma nova vida, Idá usa o nome do autor de seu livro favorito e adota para si. Idá Aláàfin se transforma em Hugo Escarlate, sua mais nova identidade.

Referências

É possível reconhecer e se lembrar de vários momentos da história do bruxo inglês. Diferente de Harry, Hugo não tem um único centavo no bolso e lida com isso da pior maneira possível. O sobrenome logo se explica pela varinha escolhida pelo menino, que no primeiro livro ainda sabemos pouco sobre. O objeto de cor avermelhada logo é explicado como sendo especial, mas em poucos capítulos de Renata é possível perceber que ainda há muito para vir.

O mais especial em A Arma Escarlate são os elementos que remetem a cultura brasileira. Figuras do folclore tornam-se protagonistas em alguns capítulos, ao passo que menções à cultura brasileira trazem um toque mágico a história. Logo temos vontade de ir até a Lapa verificar cada centímetro dos arcos, assim como edificações antigas que possam levar a outro lugar.

A Arma Escarlate

Seguindo as inspirações da obra de Rowling, Renata Ventura conseguiu criar algo completamente novo. O mundo de Hugo é encantador, trazendo aos fãs brasileiros a sensação de pertencimento. Embora seja uma história fictícia, a autora aborda problemas sociais enfrentados diariamente no país. O tráfico, a violência, o preconceito e a desigualdade social se transformam em pautas para a autora. Saímos momentaneamente da fantasia e temos a sensação de ligar a televisão e ver uma notícia diária no jornal.

Não é apenas de pontos negativos que Ventura remete ao Brasil. A autora usa de elementos do folclore, como Curupira, Cuca e Mula Sem Cabeça, para descrever suas criaturas mágicas. Sabemos de cor o nome de todos os animais criados por Rowling, mas será que conhecemos bem nosso próprio folclore?

É só o primeiro!

A Arma Escarlate faz parte de uma trilogia, já publicada inteiramente no Brasil. A Comissão Chapeleira foi lançada em 2014, enquanto O Dono do Tempo chegou ainda este ano. Mal posso esperar para ver o que a autora trará a seguir, mas desde já, espero que haja cada vez uma desvinculação a Harry Potter. As referências ainda são muitas e diversas acabam sendo extremamente desnecessárias. Renata Ventura tem todo o potencial para seguir sozinha com sua história, que já é original e mágica o suficiente.

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