Chegou hoje na Netflix, o novo thriller dramático da plataforma. Ambientada na Espanha dos anos 50, ao longo dos seus 3 densos episódios ‘Alguém tem que morrer‘, retrata uma sociedade conservadora e tradicional em que as aparências e os laços familiares têm muita importância.

Contextualizando a história acompanha Gabino que volta do México a pedido dos pais, para que conheça sua noiva. No entanto, o que ninguém esperava era que ele levaria com ele, um misterioso bailarino chamado Lázaro.

Confesso que logo quando vi o anúncio da produção, despertou minha curiosidade, muito pelo elenco, já que pouco era sabido sobre a trama, o que acabou se tornando uma grata surpresa de fato, já que amo histórias carregada de camadas.

Agradeço por ser uma minissérie de somente três episódios, pois penso que não seria fácil assistir mais desta história. Não por ser ruim, longe disso, mas por ser uma história densa, onde muito do pré conceito e dos valores retrógrados de uma Espanha no auge do conservadorismo se propõe mostrar.

Dentro de uma narrativa sobre valores familiares e aparência perante a sociedade; vemos pessoas lutando contra a maré e desejando simplesmente serem quem são, sem julgamentos. O amor é o fio condutor desta trama.

Ver esse tipo de história contada por Manolo Caro, que já retratou tantas histórias de amor é minimamente curioso, até descobrirmos do que se trata. Caro é muito sutil ao desenhar em pouquíssimas cenas que nunca são supérfluas a condição dos homossexuais durante os anos da ditadura na Espanha.

A minissérie é rica em detalhes que complementam sobre o que o show se trata. Cartazes espalhados, slogans verbalizados, explicam de maneira simples, as questões que a minissérie aborda e seu retrato visceral de uma família tradicional em uma sociedade extremamente conservadora.  ‘Alguém tem que morrer’, traz a tona inúmeras reflexões que a tornam lenta sim, mas cheia de conceitos a serem assimilados.

Gabino é o único que conhece o maior segredo da matriarca da família que tenta a todo custo manter as aparências, e quando a sexualidade deste jovem vem a tona, ela faz de tudo para apagar qualquer vestígio que venha a denegri a imagem deles, mesmo que para isso tenha que eliminar o neto. Esse contexto, já diz muito, você pode ter um filho que abusa da esposa tanto físico, quanto psicologicamente, mas se eles parecerem felizes para a sociedade isso é o que importa.

Confesso que gostaria de ter visto a produção, como um filme… Talvez fosse mais bem aproveitada e teríamos uma final ainda melhor do que o oferecido. Contudo, o elenco é um “plus” dentro da produção impecável.

Assistir ‘Alguém tem que morrer’ já vale pela bagagem histórica que traz consigo, de uma época esquecida por muitos.

A minissérie já está disponível na Netflix.