Se você assiste True Blood e acha a música tema da abertura meio exagerada ou as imagens fortes demais, vai mudar de opinião assim que ler este post. Entenda o ‘porque’ do estilo escolhido pelos produtores e o impacto desta escolha no marketing da série. Para os que não conhecem ainda a série, True Blood fala sobre a co-existência de vampiros e humanos. O mundo de True Blood (cronologicamente, é atual) tem uma visão diferenciada. Os vampiros são conhecidos por toda a população e consomem oficialmente um ‘Sangue sintético’ criado por cientistas japoneses. O núcleo central da história vive em Bon Temps – uma cidade fictícia da Louisiana.

O criador da série, Alan Ball já possuía um histórico de seriados macabros, ele foi o ‘dono’ de Six Feet Under (série que teve 5 temporadas na HBO). A abertura da série foi indicada ao Emmy na categoria de ‘Melhor abertura’ (dããããã) e foi criada pela Digital Kitchen – estúdio de produção responsável também pela criação da abertura de Six Feet Under e Dexter.
A abertura choca a todos ‘logo de cara’, mas no fundo a mensagem passada é bem interessante. A música tema é ‘Bad Things’ de Jace Everett e conceitualmente é construída a partir de uma grande mistura de imagens contraditórias que envolvem sexo, violência e religião, projetadas do ponto de vista do ‘sobrenatural’.
A idéia era que fossem explorados os conceitos de redenção e perdão, além de ter como pano de fundo a atmosfera da Louisiana (interior dos EUA). Para passar esse sentimento de interior verdadeiro, os produtores optaram por produzir muitas das imagens na própria Louisiana. Foram passados os ‘tipos de fanatismos’ religiosos e sexuais que podem corromper os homens fazendo com que eles se tornem animalescos. Vários quadros foram cortados para dar  uma sensação de movimentos agitados, enquanto outras cenas foram jogadas e outras ainda exibidas em slow motion. Alguns cortes – como a da decomposição de um animal – foram criadas digitalmente.
O legal desse conceito é que pela primeira vez temos uma série em que o lado animal do vampiro é jogado na cara dos seres humanos e vice-versa. Temos uma comparação quase que em todos os episódios das reações impulsivas dos seres humanos e do sobrenatural. Quase que um incentivo à meditação sobre ‘quem é realmente o animal?’.