Com este post, você vai lembrar um pouquinho daquilo que os jovens dos anos 70 ouviam nas emissoras de rádio AM, afinal, as emissoras FM só eram ouvidas em salas de espera de consultórios de dentistas. Nossa viagem vai começar pouco antes dos anos 70 para que os mais jovens entendam os processos de mudanças ocorridos nas emissoras de rádio e nas músicas das décadas de 60 e 70.

Os adolescentes dos anos 70 conviveram muito mais com os aparelhos de rádio do que com os de televisão. Nos anos 60 provavelmente as casas tinham pelo menos um receptor de rádio ou rádio-vitrola e poucas casas tinham um aparelho de TV, preta e branca, é claro. Nossas avós ou nossas mães cumpriam seus afazeres domésticos sempre com um rádio ligado. Cantarolando e ligados na voz de algum speaker em especial, eles faziam das casas um ambiente leve e descontraído. Nossos avós ou pais chegavam do trabalho e queriam ouvir as últimas notícias.

rádio nacional

Em 1974, três anos antes da televisão chegar ao Brasil, 80% dos rádios da cidade do Rio de Janeiro estavam sintonizados na Rádio Nacional pois entrava no ar, exatamente às 20h30, a PRH-30, apresentado por Laurentino Borges Sáes (Lauro Borges) um paulista nascido em 1901 que faleceu em 1967 e por Joaquim Silvério de Castro Barbosa (Castro Barbosa), mineiro nascido em 1905 e falecido em 1975.

Nos anos 60 os poucos canais de TV e os raros programas dirigidos para as crianças não prendiam as nossas atenções diante da telinha, por isso, com o rádio acostumamos a ouvir e imaginar ao invés de receber tudo pronto da TV. Com isso não ficamos bitolados e nos tornamos criativos e transformadores.

Antes de dormir, no fim da noite, os mais velhos ouviam na Rádio Bandeirantes o Programa Moraes Sarmento e as crianças, já na cama, ouviam em silêncio fingindo que estavam dormindo. Moraes Sarmento na verdade se chamava Rubens Sarmento e nasceu em Campinas em 1922. Solto, despachado, sincero, defensor das raízes musicais brasileiras, fez muito sucesso e esteve no ar por 60 anos ininterruptos, vindo a falecer em 1998.

As festas de aniversário, os festejos de Natal e Ano Novo eram abrilhantados com as músicas de Ray Conniff, Glen Müller e boleros tocados nas rádio-vitrolas Philips. Para ir nas festas as mulheres penteavam os cabelos e atrás da cabeça faziam as chamadas “bananas” ou usavam o estilo “gatinho”, sempre com muito laquê. Já os homens, com calças de barra dobrada e vinco bem marcado, usavam artigos da Casa Ramenzzoni.

A primeira transmissão do “Repórter Esso” aconteceu às 12h45 do dia 28 de agosto de 1941 pela Rádio Nacional, quando a voz de Romeu Fernandez anunciou o ataque de aviões da Alemanha à Normandia, durante a segunda guerra mundial. O gaúcho Heron Domingues marcou a história do rádio apresentando durante anos o “Repórter Esso”, que ficou no ar até 1968, por último, na Rádio Globo.

As notícias chegavam até os ouvintes dos rádios de várias maneiras, em horários certos ou algumas vezes interrompendo a programação com algum acontecimento urgente. As crianças ouviam e quase sempre não entendiam o significado delas, com se acostumavam com um dos mais conhecidos noticiários dos anos 60.