A Metamorfose de Kafka

-por , em 01/07 -
A Metamorfose de Kafka

Pessoal, decidi dá mais uma dica de leitura para vocês!!! E dessa vez, vou apelar para os clássicos… Sim, porque faz pouco tempo que terminei de ler A Metamorfose de Kafka (eu sei, um pouco vergonhoso para quem tem 30 anos e fez Letras na faculdade, mas como diz o ditado “antes tarde do que mais tarde), e eu acredito que seria ótimo comentar com vocês sobre a leitura deste livro, por dois motivos: primeiro, porque é bom nós relembrarmos dos clássicos e discutir um pouco sobre a importância da literatura e segundo, sim, pessoas, preciso desabafar!!! Dadas as minhas justificativas, não enrolarei mais as vossas pessoas e partirei logo para o post… Sigam-me, por favor!!!

O livro

Eu acredito que, em algum momento da vida, todos já se depararam com a história do “homem que virou um inseto gigante” e que muitos associam a uma barata. Esta é a história de Gregor Samsa. Escrito por Franz Kafka, escritor renomado que produziu obras muito importantes, nas quais abordam, principalmente, a questão da alienação, e também a violência, que pode ser física e psicológica, e neste livro, ele consegue dar um parecer de tudo isso, e um pouco mais.

Já abordando um pouco a parte que cabe à crítica deste livro, Kafka consegue causar um desconforto tão grande, para não dizer que uma pitada de depressão, no seu leitor, fazendo com que repensemos na nossa vida e nos nossos valores, afinal de contas, não é nada confortável você perceber que virou um inseto gigante e tudo o que isso gera, não somente para você, mas para todos ao seu redor. É uma coisa inimaginável e sim, forte demais, para as emoções de todos os envolvidos.

É muito interessante perceber a desconstrução que é abordada de um lado, para a construção que acontece por outro, não quero entrar em detalhes, claro, o interessante é vocês lerem, mas, o autor desconstrói completamente a figura de Gregor para construir uma figura de família que não existia antes, e isso é uma coisa muito louca, afinal, a família só se construiu pela destruição de, até então, o pilar que “a sustentava”. É muito louco isso.

As impressões

Admito que parei de forma abrupta a descrição do livro, porque, como eu disse, não quero entrar em grandes detalhes, o importante é vocês lerem o livro, e vou falar um pouco das impressões que o livro me gerou. Na verdade, eu acredito que tudo pode ser resumido em uma palavra só, uma que eu já citei, desconforto. Sim, porque é completamente incômodo você ler este livro, e sim, é exatamente isso que faz com que o livro seja tão bom. É horrível você ter que lidar com um pouco mais de 100 páginas (como podem perceber, em questão de quantidade de páginas, não se trata de um livro grande)de puro abandono, egoísmo e descaracterização de um indivíduo, quer seja como um homem, um membro de uma sociedade e até mesmo um membro de uma família.

Aí, eu até prevejo que algumas pessoas podem se perguntar que, se é tão horrível a sensação que o livro proporciona, por que então essa pessoa está recomendando o livro?! Aí eu simplesmente respondo: estou recomendando porque isso é literatura. É um livro pesado, comovente, incômodo e que mexe com os nossos sentimentos mais íntimos, e por isso que eu recomendo. Acredito que ainda pode não fazer muito sentido para muitas pessoas ainda, então eu me proponho a fazer uma reflexão com vocês, e espero que vocês me acompanhem, por favor.

O que é literatura?!

Aí, eu acredito que caímos numa questão muito delicada e profunda, sobre o que é literatura. Para mim, esta é uma questão altamente subjetiva, porque eu não consigo encarar como literatura coisas bonitinhas que lemos para nos sentirmos melhores. Eu encaro a literatura como uma coisa que tem como intuito nos fazer pensar, e acima de tudo, nos fazer sentir. Para mim, a literatura tem o real intuito de nos fazer refletir, incomodar e cutucar. Ela pode ser bonita?! Pode e deve, mas, nem tudo são flores, não é?! Então, acho válido entrar em contato com todas as sensações que ela pode nos oferecer, e aproveitar disso, para nos fazer seres melhores. É um processo é doloroso, mas sim, não faz pensar, e isso é que precisamos, principalmente nos dias de hoje.

Por isso que eu, sinceramente, espero que vocês aproveitem essa chance, não simplesmente de uma boa leitura, mas sim, de aproveitar uma chance de se humanizar um pouco mais, passar por um processo incômodo, sim, mas de profundo crescimento, e assim, se tornar um ser humano melhor, mais reflexivo. Espero que gostem de mais esta dica, e até a próxima, pessoal!

Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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