Lançado oficialmente em 1935, pelo então projetista Ferdinand Porsche, o Volkswagen podia ser comparado por quase todos, ao preço de 990 marcos, e era equipado com motor refrigerado a ar, sistema elétrico de seis volts, câmbio seco de quatro marchas, que até então só se fabricavam carros com caixa de câmbio inferiores a 03 marchas.

Um livro foi publicado na Holanda e questiona a legitimidade de Ferdinand Porsche como o homem que inventou o Volkswagen Beetle (Fusca). De acordo com o livro “Het Ware Verhaal van de Kever” (A verdadeira história do fusca), do historiador Paul Schilperoord, o homem que desenvolveu o carro mais popular do mundo e que se tornou o símbolo da indústria automobilística alemã foi um jornalista e engenheiro judeu chamado Joseph Ganz (1898-1967).

De acordo com o livro, que está sendo cogitado para virar filme no cinema, Ganz era filho de pai alemão e mãe húngara, adorava engenharia automotiva e projetou em 1923 o primeiro carro compacto com motor na parte de trás, carroceria arredondada e suspensão independente. Ela sonhava criar um carro que pudesse ser mais seguro e eficiente que os modelos da época e custasse o mesmo que uma motocicleta.

Ganz entrou em contato com fabricantes de motos e em 1931 conseguiu finalmente construir o protótipo Maikäfer (Meu Besouro). Após prestar serviços para a BMW e a Daim ler, Ganz acabou preso pela Gestapo, a polícia do regime nazista, em 1933, acusado de chantagem. Libertado no ano seguinte, acabou tendo sua carreira como projetista prejudicada. Ganz seguiu para a Suíça onde o próprio governo suíço tentou roubar seu projeto. Para piorar, de acordo com o livro, Adolf Hitler ficou entusiasmado com a idéia de produzir um veículo popular em larga escala.

Hitler então teria designado Ferdinand Porsche para desenvolver o Volkswagen Beetle e ficar com todos os créditos pela obra. O judeu Ganz nunca conseguiu comprovar ser o verdadeiro “pai” do fusca. Após a Segunda Guerra ele foi para a Espanha tentar desenvolver seu carro pela companhia Automobile Julien, sem sucesso. Em 1951, Ganz foi morar na Austrália onde trabalhou para a Holden, uma marca do grupo General Motors. Ele morreu em 1967.

O livro de Schilperoord contém documentos importantes de Ganz e centenas de fotografias e desenhos inéditos do carro que inspirou o fusca. O primeiro projeto do fusca era equipado com um motor dois cilindros, refrigerador de ar, que tinha um rendimento absurdamente péssimo. Criaram o motor quatro cilindros, opostos dois a dois, chamado de Boxter, também refrigerado a ar, com suspensão independente dianteira, que funcionavam através de barras de torção.

Foi um projeto ousadamente revolucionário, pois até então os carros da época eram feitos com motores refrigerados a água e suspensão que em sua maioria usavam feixe de molas (tipo suspensão de caminhões) ou molas helicoidais. Daí, as revoluções foram constantes. Sistema de freios a tambor, caixa de direção tipo “rosca sem fim”, evoluções estéticas como o quebra vento, lado abertura da porta (no início a porta abria do lado oposto), saída unica de escapamento, estribo, entre outras.

Em 1936, já reformulado, com bastante semelhanças com o fusca de hoje, o Volkswagen era equipado com duas pequenas janelas traseiras, em 1937 existiam 30 outros modelos sendo testados na Alemanha. E a partir de 1938, iniciou-se a construção, em Hanover de uma fábrica a qual o Volkswagen seria construído na forma de fabricação em série.

Em 1939, devido ao início da segunda guerra mundial, o Volkswagen acabou virando um veículo militar. Derivados do fusca, como jipes e até um modelo anfíbio (Shwinwagen, atualmente existem 03 no mundo, e um no Brasil). A mecânica também haveria mudado.Virabrequim, pistões, válvulas, o motor de 995 cc. e 19 cv passou a ser de 1131 cc. e 26 cv. Mais de 70 mil unidades militares foram produzidas.

Ao término da segunda guerra, a fábrica que estava sendo construída em Hanover, estava quase que inteiramente destruída. Seus projetistas, ninguém sabia por onde andavam, e de suas versões militares ninguém mais precisava, por pouco não foi o fim da Volkswagen. Até um major inglês redescobrir o Volkswagen. Ivan Hirst, resolveu “adotar” o velho Volkswagen, entre os escombros da antiga fábrica, a versão original do VW passou a ser reaproveitada.

Retomada sua fabricação, o Volkswagen passou a ser utilizado em serviços de primeira necessidade, escassos naquela época, como correio, atendimento médico, etc. Em 1946, um ano depois, já existia 10 mil Volkswagen sedan em circulação. Em 1948 existiam 25 mil, sendo 4400 para exportação. Em 1949 o fusca já teria seu próprio mercado nos Estados Unidos.

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