Cada vez mais os conteúdos espanhóis ganham espaço na Netflix, e são sucessos, a exemplo disso temos Um Contratempo, O Poço e recentemente chegou na plataforma A Casa. O suspense psicológico tem sido inclusive comparado ao ganhador do Oscar 2020, Parasita. Mas será?

A trama acompanha Javier, um publicitário desempregado que acaba perdendo tudo que conquistou na vida, ao encontrar a chave de seu antigo apartamento, ele começa a “perseguir” os novos moradores com a intenção de reaver tudo que lhe foi tirado.

A semelhança com Parasita surge, no momento em que o protagonista, se infiltra na vida da família que hoje ocupa o apartamento que um dia foi seu, para assim, se beneficiar dos bens que eles possuem.

A Casa, tem como foco a crítica social, o que é muito comum em filmes de língua espanhola. Neste, vemos o desemprego na temática central, e como a partir de certa idade, nos tornamos mão de obra obsoleta.

A trama não exige muito do expectador, que tão logo, é conduzido de forma clara e objetiva por toda história. O Roteiro simples, é um facilitador na construção do suspense, em meio aos pequenos detalhes e a transformação do protagonista em sua crescente obsessão, culminando no desfecho que pode gerar ou não surpresa. O sentimento varia de acordo com a assimilação da mensagem que os diretores, David Pastor e Àlex Pastor querem passar sobre capitalismo e egoísmo.

A Construção dos personagens é superficial e mal desenvolvida, com exceção de Javier, interpretado por Javier Gutiérrez que consegue com maestria trazer a profundidade do egoísmo e do desvio de caráter do personagem. 

O Filme peca na necessidade súbita de inserir subtramas para justificar determinadas atitudes do protagonista, bem como a superficialidade na qual foi tratada o drama de sua familiar. Entendo que não era o principal foco da narrativa, no entanto, traria mais apelo emocional. 

A Casa é mais um daqueles filmes que nos fazem refletir sobre a sociedade e até que ponto as pessoas podem ir para conquistar o que desejam, com críticas pontuais ambição, ego, pedofilia e ao Bullying (mesmo que superficialmente), abandono do lar, entre outras.

Um filme que chega sem alarde, mas que merece muito, sua atenção.

A Casa já está disponível na Netflix.