A série I May Destroy You chegou recentemente no Brasil, através da HBO, mas trata-se de mais uma super co-produção da BBC e da própria HBO. As duas empresas tem uma relação bem legal em séries diversas como Years and Years e His Dark Materials – também disponíveis no catálogo da HBO Go.

Criada, escrita, protagonizada e co-dirigida por Michaela Coel (vencedora do Bafta de ‘melhor atriz’ pela série Chewing Gum, Netflix), a produção semi-autobiográfica conta a história de Arabella Essiedu, uma escritora londrina de ascendência ganesa que ficou famosa no Twitter. Enquanto escreve seu segundo livro, ela decide dar uma relaxada e vai em uma balada com um amigo. Mas lá ela é drogada e abusada sexualmente.

Confusa e sem saber direito o que aconteceu, ela passa por diferentes fases do trauma ao lado de seus melhores amigos, a atriz Terry Pratchard (Weruche Opia) e Kwame (Paapa Essiedu), que também é estuprado por um date que conseguiu no Grindr.

A série mistura drama, comédia e dedo na ferida, seguindo a premissa de algumas outras histórias que acompanhamos recentemente como Normal People, Marvelous Mrs. Maisel e Fleabag. Diálogos intensos, profundos, às vezes pesados e desconcertantes vão fazer você se apaixonar por essa história.

Aliás, vem aqui que tem mais alguns bons motivos para você conferir I May Destroy You agora mesmo:

1. MICHAELA COEL (óbvio)

Nem sei por onde começar, já que Michaela é um verdadeiro fenômeno. Mas vamos lá: A atriz, que também é diretora, produtora e roteirista, já mandou muito bem anteriormente em Chewing Gum na Netflix e consegue ir além em sua nova história. Ela é muito boa e sabe disso! Os diálogos, o domínio de cena, TUDO faz com que I May Destroy You se torne quase que uma série pessoal para cada um de nós. É fácil se aprofundar nos dramas apresentados e se ver (ou ver amigos mais próximos) em diversos momentos da trama.

Fato curioso: Michaela Coel, recentemente, recusou um contrato milionário (e exclusivíssimo) com a Netflix, para que pudesse ter autonomia e liberdade na produção de seus projetos. É, parece que a indústria está realmente mudando.

2. AS CRÍTICAS SOCIAIS ATUAIS

Se falamos de Michaela, falamos de textão sim, porque ela é dessas! Se tem uma coisa que permeia nossa mente hoje em dia é: será que estamos vivendo uma vida real ou passamos a existir em função das redes sociais? Michaela discute de forma orgânica e super imersiva essa questão na série, já que sua personagem é ao mesmo tempo super descolada e completamente desleixada; super antenada e também desligada! Pois é. As redes sociais estão presentes na história, de uma forma verdadeira e direta…como temos visto em outras séries atuais também.

3. O ABUSO SEXUAL

É isso mesmo, como falei antes, I May Destroy You é uma série forte e real. Existe um limite entre consentimento e o abuso sexual e esse limite é discutido bastante na série. As discussões sobre o tema continuam latentes hoje em dia, já que, infelizmente, a ocorrência de abusos físicos (no mundo inteiro) ainda não chegou perto de ter um fim.

Fato curioso: A série ganha um tom autoral quando sabemos que Michaela sofreu um abuso sexual semelhante ao de sua personagem Arabella. A atriz não poupa esforços ao mostrar as dores e os pesares de uma situação como essa.

4. A HISTÓRIA

Uma série pode ter o melhor protagonista, o melhor diretor, até mesmo a melhor premissa para existir. Mas, se não tiver uma boa adaptação, coerente, coesa e que gere em nós aquele sentimento de ‘por favor, só mais um episódio’, hoje em dia não funciona mais. A concorrência é grande, temos muito o que assistir e estamos ficando cada vez mais seletivos e presos em bolhas de conteúdos. Por esse motivo, dizer que a história de I May Destroy You é importante e que o roteiro é bem elaborado, se faz muito relevante na nossa lista!

Os diálogos são perfeitos, diretos, um pouco sarcásticos, mas realistas e intensos. A naturalidade com que a personagem principal lida com seus problemas, incluindo o abuso sexual, beira o desconfortável em diversos momentos para nós – e é exatamente isso que torna a história mais interessante ainda.

5. O ELENCO

Ok, Michaela é incrível, meudeus como é perfeita. Mas nem só de Michaela vive a série. Para sustentar a história e discutir seus principais argumentos, é preciso ter diversos pontos de vistas e, principalmente, diversas realidades. A série entrega isso muito bem, dando destaque ao incrível Paapa Essiedu que é amigo pessoal de Michaela (na vida real) e interpreta o amigo pessoal de Arabella na história. Como homem negro, gay e super bem resolvido, o personagem de Paapa, Kwame, sofre também um abuso sexual e vê sua vida (emocional principalmente) se despedaçar. Outro ponto de vista que podemos acompanhar de perto e ver semelhanças diárias aqui, no mundo real (novamente, infelizmente).

I May Destroy You é a série de dramédia realista que você precisava e não sabia ainda!

Os episódios da série estão disponíveis na HBO Go.